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Entenda a disputa

Cidade de Santa Catarina tenta título que pertence a Santa Teresa, no ES

Projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados tenta conceder a São João Batista, em Santa Catarina, o título de primeira cidade colonizada por imigrantes italianos do país
Redação de A Gazeta

Publicado em 

16 abr 2026 às 07:01

Publicado em 16 de Abril de 2026 às 07:01

Santa Teresa, no Espírito Santo, e Colônia Nova Itália, em São João Batista, Santa Catarina
Montagem


Duas cidades brasileiras travam uma disputa acerca de um título nacional: o de primeira cidade colonizada por imigrantes italianos do país.


De um lado está Santa Teresa, na Região Serrana do Espírito Santo, que defende o reconhecimento de município Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil. De outro está São João Batista, em Santa Catarina, que luta para ser considerada a Capital Nacional do mesmo movimento.


A discussão não é nova, mas voltou à tona neste mês com a discussão do Projeto de Lei 9.811/2018, que visa beneficiar a cidade catarinense, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), na Câmara dos Deputados.


A proposta busca revogar a Lei nº 13.617 de 2018, que reconheceu o município capixaba como o berço da imigração italiana, e foi apresentada pelo deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC) logo após a concessão do título a Santa Teresa, a fim de "corrigir um erro histórico".

Segundo o parlamentar catarinense, há obras clássicas que atestam a chegada dos primeiros imigrantes italianos no estado da região Sul.


Além disso, ele alega que a Província de Trento, na Itália, por meio de representantes no Brasil, manifestou-se contra a concessão do título ao município do Espírito Santo.


Carretela Del Vin de Santa Teresa no ano de 2017
Divulgação


Com o avanço do projeto de lei na Câmara dos Deputados, parlamentares capixabas se manifestaram contrários à proposta, assim como o próprio prefeito de Santa Teresa, Kleber Medice (PSDB).


O gestor municipal foi a Brasília no final de março para "reforçar a defesa da verdade histórica e da memória capixaba diante da proposta legislativa oriunda de Santa Catarina".


Ao lado dos deputados Gilson Daniel (Podemos) e Helder Salomão (PT), o prefeito entregou documentos ao presidente da CCJC, deputado Leur Lomanto Júnior (União), que, segundo ele, comprovam que o título de cidade pioneira da colonização italiana no país pertence a Santa Teresa.


Para a proposta de Santa Catarina avançar, o projeto depende de votação na Câmara, mas ainda não há nenhuma data definida para que isso seja feito.


Importante ressaltar que esse título é um reconhecimento simbólico, e não confira vantagens econômicas, como repasses de verbas, apesar de as cidades poderem se promover e conseguir movimentar, por exemplo, o turismo nas regiões.


Datas e documentos


O trecho de uma obra considerada clássica da historiografia brasileira citado no projeto catarinense demonstra que os italianos chegaram ao estado em 1836. O livro utilizado é "Italianos no Brasil 'Andiamo in Merica'", de Franco Cenni.


"O Estado de Santa Catarina foi pioneiro em fato de colonização italiana. Já em 1836, o suíço Enrico Shutel, agente consular do rei da Sardenha, fazia chegar ao Brasil 180 imigrantes sardos", afirmou o autor nascido em Milão que morou em São Paulo.


Já a lei que entende Santa Teresa como a primeira cidade formada por imigrantes italianos do Brasil é baseada em um marco histórico de 1874. Naquele ano, chegou ao Espírito Santo o navio "La Sofia", com 388 italianos, o que daria início "à epopeia emigratória dos italianos para o Brasil".


Segundo o sociólogo italiano Renzo M. Grosselli, foi a posterior chegada do navio "Rivadávia", que aportou em 31 de maio de 1875, com 150 famílias italianas, encaminhadas para Santa Leopoldina, também no Espírito Santo, que resultou na fundação de Santa Teresa, em junho de 1875.


Em voto contrário ao projeto catarinense, Gilson Daniel cita uma manifestação institucional do Comitê dos Italianos no Exterior do Espírito Santo e Rio de Janeiro, que afirma o seguinte:


"A presença italiana no Brasil remonta a períodos anteriores, inclusive desde o contexto do Descobrimento do Brasil. Contudo, o reconhecimento conferido a Santa Teresa não se refere à presença isolada ou episódica de indivíduos italianos, mas sim ao início da imigração italiana em massa, organizada e contínua, elemento que caracteriza o fenômeno migratório moderno", disse.


Ou seja, com base neste documento, o que caracteriza Santa Teresa como o berço da imigração italiana no Brasil não é simplesmente a chegada de italianos na região, mas a sua organização e formação de uma comunidade que de fato se enraizou no local e se desenvolveu.


O que diz a cidade catarinense


A Prefeitura de São João Batista informou que apoia o movimento "Non si può negare la storia, la vera storia!", que, capitaneado pela Associação dos Descendentes e Amigos do Núcleo Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil (Adanpib), busca o reconhecimento da Colônia Nova Itália como berço da imigração italiana no Brasil.


Colônia Nova Itália, em São João Batista, Santa Catarina
Divulgação | Prefeitura de São João Batista


Segundo a prefeitura, a localidade, que fica no interior do município integrante da região da Grande Florianópolis, foi fundada em março de 1836 por 132 imigrantes provenientes da atual região da Ligúria, então pertencente ao Reino da Sardenha, hoje Itália unificada.


Este movimento pioneiro, resultante de um empreendimento privado, teria influenciado, a partir da década de 1870, a chegada de novas levas de imigrantes no país como uma política estatal.


De acordo com a prefeitura, o movimento tem buscado ampliar o reconhecimento institucional e nacional deste marco histórico com base em pesquisas e documentos históricos, de forma a corrigir eventuais distorções acerca do pioneirismo da imigração italiana.


Ainda em 2018, foi aprovada a Lei Estadual nº 17.536, que reconhece a Colônia Nova Itália como pioneira da imigração italiana. De forma paralela, tramita, desde 2018, junto à Câmara dos Deputados, o projeto de lei nº 9811/2018, que propõe conferir o título de Capital Nacional da Imigração Italiana a São João Batista.


"Só queremos o respeito à história e, por isso, apoiamos o movimento. Não se trata de negar a importância de outras cidades no processo migratório italiano, mas sim de garantir que cada território seja reconhecido de acordo com os fatos históricos que lhe correspondem", destacou o prefeito Juliano Peixer.


A cultura italiana em Santa Teresa


Outros dados também são apresentados pelos capixabas para comprovar o protagonismo de Santa Teresa na consolidação da imigração italiana no país.


Um deles é o fato de que a cidade capixaba tem uma população de 22.808 pessoas, segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo que, conforme o Consulado Italiano no Brasil, 90% delas (cerca de 20.527 habitantes) são descendentes de italianos, com famílias originárias das cidades do Norte da Itália Trento, Veneto e Lombardia.


Esta influência italiana pode ser percebida em toda a cidade, seja na arquitetura das casas e prédios, no cultivo das uvas para a produção de vinhos, na gastronomia, nos museus e patrimônios históricos, nos corais, ou ainda em outros detalhes que compõem o dia a dia na região.


* Com informações do g1ES

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