Uma triste coincidência voltou a atingir uma mesma família em Vitória. A adolescente de 13 anos atropelada na Avenida Leitão da Silva perdeu a mãe há um ano, na mesma via, também vítima de atropelamento. A jovem seguia para a escola com a avó quando, na altura do bairro Santa Lúcia, foi atingida por um carro e está internada em estado grave.
A vítima não foi identificada em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Segundo informações apuradas pela reportagem da TV Gazeta, o motorista relatou que seguia no sentido Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes (Beira-Mar) e que, próximo a um cruzamento, com o sinal aberto para veículos, três mulheres tentaram atravessar a via correndo.
Duas delas conseguiram chegar ao outro lado, mas a adolescente teria voltado no meio do percurso. O condutor afirmou que tentou frear para evitar o atropelamento, mas não conseguiu impedir a colisão. Testemunhas afirmaram que a estudante foi arremessada por alguns metros. O motorista foi liberado pelo Batalhão de Trânsito da Polícia Militar após realizar o teste do bafômetro.
A atendente Kemilly Barbosa Lima, vizinha da garota, disse que escutou a batida e contestou a versão do motorista de que o sinal estava aberto para veículos.
"Elas estavam atravessando, o carro estava vindo rápido. O sinal estava vermelho. Ele cortou outro carro e, quando a avó atravessou, ela (adolescente) voltou e ele acertou ela em cheio", disse a atendente.
Pessoas próximas à família contaram que, até a tarde de quinta-feira, a menina já havia passado por cirurgias no fêmur e para retirada do baço.
Conforme apuração do repórter Álvaro Guaresqui, da TV Gazeta, a adolescente está com edema cerebral, múltiplas fraturas e órgãos internos feridos, e passou por quatro horas de cirurgia. Uma amiga da família afirmou que o rim ainda está sendo avaliado, assim como a necessidade de cirurgia na perna.
“A mãe dela (adolescente) fez um ano do falecimento na mesma avenida”, declarou a autônoma Silvana Barbosa Pereira.
Comovidos com o atropelamento, vizinhos, parentes e amigos da adolescente se reuniram no local do acidente na noite de quinta-feira para orar e pedir mudanças na sinalização.
Kemilly Barbosa Lima reclamou da ausência de passagem apropriada para quem sai do bairro Gurigica. "Eu moro aqui e quero atravessar. Para isso, preciso ir até algum dos semáforos que ficam longe da saída do bairro. Aqui, onde atravessamos, não existe um (sinal). Quando não é carro, são as bicicletas elétricas também. Não temos segurança nem para passar na ciclofaixa. Queremos a nossa faixa de pedestre", desabafou.
O protesto não afetou o trânsito, já que os manifestantes aguardavam o semáforo fechar para ocupar a via com cartazes pedindo faixa de pedestres nas proximidades do local do acidente, além de mais atenção dos motoristas. A mobilização foi encerrada por volta de 19h20.