Em algum momento, enquanto fazia compras no supermercado ou na feira, você já se deparou com um cacho de uva de duas cores? E com um bago (o fruto) de uva bicolor, meio a meio? Foi o que aconteceu na propriedade "Sítio Capelinha", do produtor Eduardo Alves Carneiro, localizada em Alto Rio Novo, no Noroeste do Estado.
Em registros recebidos pela reportagem de A Gazeta, é possível observar que entre tantas uvas produzidas na propriedade, um cacho bicolor chamou a atenção por apresentar uvas roxas e verdes. Além disso, umas dessas uvas ficou dividida, meio a meio, com as duas cores.
Segundo o filho do produtor, José Antônio Rosa Alves, que auxilia o pai na venda das uvas, a propriedade produz duas espécies do fruto: Niágara Branca e Rosada.
"No início do mês os frutos começaram a madurar e com o tempo identificamos que um cacho ficou com cores diferentes. Todos os cachos estavam de uma cor só, apenas esse nasceu 'diferentão'", comentou José Antônio.
É raro?
Mas por qual motivo, entre tantas uvas na propriedade do Seu Eduardo, apenas um cacho do fruto ficou diferente dos outros? Afinal, é comum nascerem uvas de duas cores? Nós fomos atrás de especialistas para entender melhor o assunto.
Apesar de ser algo atípico para algumas pessoas, de acordo com o agrônomo Anderson Rosa Marim, o caso registrado em Alto Rio Novo é comum na espécie de uva Niágara. Segundo ele, esse tipo de mutação é bem característica da variedade e pode acontecer em cachos e bagas.
"A Niágara rosada surgiu de uma mutação da Niágara branca. Esse tipo de mutação, nós chamamos de 'mutação somática', algo característico dessa variedade de uva. Mutação é um fenômeno genético, que é espontâneo. A Niágara rosada, por exemplo, não existia... Ela surgiu espontaneamente de uma mutação da Niágara branca e assim sucessivamente"
"Por isso, você pode plantar uma muda de Niágara branca e surgir alguns cachos de Niágara rosa, e vice-versa. Assim como pode acontecer de no mesmo cacho você ter bagas rosadas e brancas, e em uma mesma baga você ter as duas cores", explicou.
O técnico agrícola do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) de Colatina, por sua vez, acrescenta que as cores diferentes não alteram o sabor do fruto.
"As duas frutas vão ter o mesmo sabor, o que muda é apenas a coloração. Esse caso registrado não é doença, pelo contrário, é melhoramento genético, resultado de um cruzamento entre plantas de fenótipos diferentes", finalizou.