Em meados de janeiro, a prefeitura de Afonso Cláudio, na Região Serrana, determinou a proibição do plantio de uma árvore por conta da sua "beleza tóxica". De acordo com a Lei municipal nº 2.550, de 20 de dezembro de 2023, árvores da espécie Espatódea (Spathodea campanulata) devem ser cortadas e descartadas pelo risco de contaminação de abelhas, insetos e pássaros como o beija-flor. Em 2023, as prefeituras de Venda Nova do Imigrante, vizinha de Afonso Cláudio, e de Linhares, na Região Norte, publicaram a supressão de árvores da mesma espécie. Em entrevista à CBN Vitória, a professora do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Tânia Mara Guerra explica como uma espécie pode ser prejudicial ao ambiente e como alguns animais também podem depender dela. Ouça a conversa completa!
ENTREVISTA - PATRICIA VALLIM - TANIA MARA GUERRA - 13-02-24
O que diz Associação dos Meliponicultores do Estado do Espírito Santo - AME-ES
Por nota, a Associação dos Meliponicultores do Estado do Espírito Santo (AME-ES) ressaltou a importância da proibição do plantio e do corte/substituição da espécie vegetal Spathodea Campanulata em áreas urbanas. Entre outros pontos, a AME-ES destaca que, por seu néctar ser bastante abundante e gelatinoso, muitas abelhas (principalmente as mirins), ao entrarem na sua flor se lambuzam desse néctar e não conseguem sair, morrendo afogadas, não sendo raros a presenças de abelhas mortas dentro de suas flores (foto acima). A AMES-ES alerta para o trabalho de conscientização da importância das abelhas e sugere aos poderes públicos municipais a substituição da espatódea, por meio de estudos das espécies que melhor se aproxime da flora nativa de cada cidade. Como exemplo, a associação cita algumas:
Nas
áreas frias:
- Anadenantera colubrina/Angico - Peltophorum dubium/Canafístula -Dombeya wallichii/Astrapéia - Mimosa scabrella/Bracatinga - Tibouchina granulosa/Quaresmeira - Byrsonima sericea/Murici;
- Poincianella pluviosa/Sibipiruna - Inga edulis/Ingá-de-metro - Inga laurina/Ingábanana - Paubrasilia echinata/Pau-Brasil - Byrsonima sericea/Murici;
- Mimosa caesalpiniifolia/Sansão-do-campo – Albizia niopioides/Farinha-Seca - Plathymenia reticulata/Vinhático - Mimosa tenuiflora/Jurema-Preta
Segundo a AME-ES, outras cidades brasileiras e do Espírito Santo já aprovaram projetos de lei proibindo o plantio da Spathodea campanulata e incentivam a substituição de exemplares existentes. No caso dos municípios do ES com leis aprovadas referentes a erradicação ou substituição da espatódea, a associação lista: Afonso Cláudio, Barra de São Francisco, Santa Teresa, Venda Nova do Imigrante, Linhares, Marechal Floriano, Ibiraçu, Itarana, Cariacica e Vitória. Outros municípios estão em tratativas entre as Câmaras e com apoio da Associação de Meliponicultores do ES (AME-ES) como Viana, Domingos Martins, Itarana, Guarapari, Sooretama, Conceição do Castelo, Colatina, Fundão e Vila Velha, onde já há audiência pública marcada para o próximo dia 29 de fevereiro.
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Nota AME-ES sobre a Spathodea campanulata
Importância da proibição do plantio e do corte/substituição da espécie vegetal Spathodea campanulata em áreas urbanas Adailton Gonçalves Pinheiro – 69 anos – Meliponicultor desde 96 – Atual Presidente da AME-ES. Texto de Camilla Zanotti Gallon, Bióloga(UFES) - dra Ciências, membro da AME-ES adaptado por Adailton Gonçalves Pinheiro
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- NOTA ASSOCIAÇÃO DOS MELIPONICULTORES DO ESTADO D0 ESPÍRITO SANTO - AME/ES:
- Importância da proibição do plantio e do corte/substituição da espécie vegetal Spathodea Campanulata em áreas urbanas:
- Adailton Gonçalves Pinheiro – 69 anos – Meliponicultor desde 96 – Atual Presidente da AME-ES.
- Texto de Camilla Zanotti Gallon, Bióloga(UFES) - dra Ciências, membro da AME-ES adaptado por Adailton Gonçalves Pinheiro
Há mais de 50 milhões de anos, estabeleceu-se uma associação entre abelhas e flores, na qual as abelhas obtêm néctar e pólen como fonte de alimento, ao mesmo tempo que contribuem para a polinização e reprodução das plantas (IMPERATRIZ-FONSECA et al., 1994). No entanto, nem sempre essa relação é benéfica para ambas as espécies. Existem exemplos em que as abelhas coletam recursos florais sem realizar a polinização (ROUBIK, 1992), ou quando elas acabam utilizando pólen ou néctar de plantas tóxicas, resultando em graves consequências para a manutenção desses polinizadores (ROUBIK, 1989).
A espécie de origem africana Spathodea campanulata pertence à família Bignoniaceae e é popularmente conhecida como espatódea, tulipeira-africana, bisnagueira, xixi de macaco ou chama-da-floresta, é uma árvore de grande porte, cujas flores oferecem abundância de néctar (NOGUEIRA-NETO, 1997), além de pólen e mucilagem (CALLIGARIS, 2001). Apesar de ser utilizada com propósitos paisagísticos devido a sua beleza visual, a S. campanulata apresenta recursos considerados tóxicos para as abelhas nativas sem ferrão e para as abelhas africanizadas e ainda que por seu néctar ser bastante abundante e mucilaginoso (gelatinoso) e o formato de sua flor ser em forma de cálice resulta que muitas abelhas (principalmente as mirins), ao entrarem na sua flor se lambuzam desse néctar e não conseguem mais sair dela, morrendo afogadas, não sendo raros a presenças de abelhas mortas dentro de suas flores e diga-se de passagem até pequenos beija flores já foram encontrados mortos nas suas flores.
E como a espatódea foi introduzia no Brasil como árvore ornamental, de preferência para utilização no paisagismo das cidades, a AME-ES está capitaneando uma ação visando a preservação das abelhas (o ser mais importante da natureza de acordo com a maioria dos biólogos e estudiosos do nosso ecossistema), na busca de, se não for possível a sua erradicação, pelo menos não seja permitido o seu plantio doravante.
E como nas áreas públicas essa ação é de competência dos municípios acreditamos que a participação das Câmaras Municipais seja primordial para que atinjamos esse objetivo. Esse é um tema que gera divergências e conflitos principalmente com os plantios já existentes nas áreas privadas e por isso o trabalho de conscientização da importância das abelhas é fundamental. Lógico, que cada município deve verificar no seu PDU (Plano Diretor Urbano) como deve ser a situação mais viável e de como deve ser colocada em prática. É de suma importância que os municípios que aderiram e venham a aderir a essa nossa ação, façam uma escolha de qual(is) espécie(s) nativas devam substituir a espatódea, procedendo um estudo daquelas espécies que melhor se aproxime de sua flora nativa.
A AME-ES não tem a pretensão e nem o conhecimento suficiente para estabelecer quais seriam as espécies que cada município deva fazer a substituição, mas acredita na capacidade dos funcionários dos órgãos municipais para determinar quais as mais adequadas. Contudo aponta entre muitas outras as seguintes:
Nas
áreas frias:
- Anadenantera colubrina/Angico - Peltophorum dubium/Canafístula -Dombeya wallichii/Astrapéia - Mimosa scabrella/Bracatinga - Tibouchina granulosa/Quaresmeira - Byrsonima sericea/Murici;
- Poincianella pluviosa/Sibipiruna - Inga edulis/Ingá-de-metro - Inga laurina/Ingábanana - Paubrasilia echinata/Pau-Brasil - Byrsonima sericea/Murici;
- Mimosa caesalpiniifolia/Sansão-do-campo – Albizia niopioides/Farinha-Seca - Plathymenia reticulata/Vinhático - Mimosa tenuiflora/Jurema-Preta
Destarte dizer que outras cidades brasileiras e do estado do Espírito Santo já aprovaram projetos de lei proibindo o plantio de S. campanulata e incentivam a substituição de exemplares existentes. No caso dos municípios do ES com leis aprovadas referentes a erradicação ou substituição da espatódea, temos:
Afonso Cláudio, Barra de São Francisco, Santa Teresa, Venda Nova do Imigrante, Linhares, Marechal Floriano, Ibiraçu, Itarana, Cariacica e Vitória. Outros municípios estão em tratativas entre as Câmaras e com apoio da Associação de Meliponicultores do ES (AME-ES) como Viana, Domingos Martins, Itarana, Guarapari, Sooretama, Conceição do Castelo, Colatina, Fundão e Vila Velha, onde temos inclusive uma audiência pública marcada para o dia 29/2 próximo. Espera-se uma ampla conscientização dos órgãos governamentais e da população para os impactos causados pela manutenção dessa espécie na arborização urbana e quintais.
Portanto, uma vez que a espécie é exótica e prejudica a população de insetos polinizadores nativos, há a necessidade de propor ações para a preservação dos ecossistemas dependentes da polinização, principal serviço ecossistêmico desempenhado pelas abelhas, devidamente destacado quando associado à produção de alimentos (AGOSTINI et al., 2022).