Revelação da cena cultural underground paulistana, Naiá Camargo resolveu alçar novos voos na carreira. Após fazer sucesso com regravações, em que dá uma nova roupagem para clássicos como "Ideologia", música-protesto de Cazuza, lançada em 1988; "Essa Noite Não", de Lobão; e "Refrão de Bolero", do Engenheiros do Hawaii, a artista vai além: propõe uma revisita a clássicos de Caetano Veloso, gravando seis faixas do cantor baiano em tons de batida eletrônica.
Após cantar "Odara" e "Tigresa", chegou a vez de Naiá apresentar "Não Enche", gravada pelo intérprete em 1997, no álbum "Livro". Até hoje, é considerada uma de suas faixas mais cáusticas. A música, inclusive, foi integrante da trilha sonora da novela "Paraíso Tropical" (2007). "É uma música intensa, repleta de contestação social", acredita a cantora, de voz forte e exótica, como a sua miscigenação racial (é filha de índios-guaranis, alemães e africanos).
Veja as versões de "Tigresa" e "Odara"
"Estou fazendo uma coletânea de regravações de seis faixas do Caetano. 'Não Enche' é a terceira. Quero manter a gênese da música, dando uma identidade que mistura tambor, percussão tribal e axé. Lógico, com toques de música eletrônica, a minha identidade", revela, falando que a nova música estará disponível nas redes sociais, neste sábado (28), em plataformas como o Youtube, Spotify e Deezer.
Para o final do ano, Naiá pretende lançar um EP com as seis músicas do projeto, intitulado "Caetane-se". "Gosto desta dinâmica de lançar singles antes de um álbum. É um movimento do mercado moderno que permite o artista ter a liberdade de experimentar sons, ritmos e estilos", acredita.
PAIXÃO
Questionada sobre o porquê de regravar Caetano Veloso, a cantora responde com paixão. "Ele ajudou a construir a minha identidade musical. Em um show recente, cantei 'Tigresa' e me vi 'caetaneando'. Pedi autorização para fazer o projeto. Ele topou, ficou interessado. Espero um dia poder cantar ao seu lado".
"Caetane-se" também pretende ser um projeto de sons e de cores, no estilo multimídia. Além do áudio gravado em estúdio, Naiá traz videoclipes com produção técnica requintada e rigorosa mise-en-scène.
"Cada música tem uma relação orgânica com alguma cor. 'Odara' apostava nos tons de lilás. 'Tigresa', por sua vez, investia no amarelo. O vermelho é a aposta para 'Não Enche'. Fizemos um clipe carnal, que exala sangue, prazer e ódio”.
FORMAÇÃO
De formação erudita, Naiá Camargo estudou música na Inglaterra no final da década de 1990, em que aprendeu piano e saxofone. Está envolvida com a música desde os 16 anos, quando frequentava as aulas da tradicional Oficina Teca Alencar, em São Paulo.
"Minha formação é eclética. Sempre busquei inspiração para cantar, quase sempre tendo referências eletrônicas, como Bjork e Depeche Mode, e da música pop, especialmente o Michael Jackson", pontua, revelando que já está preparando uma turnê para a divulgação de "Caetane-se".
"Vamos fazer um show no início de agosto para badalar a chegada do EP. Além disso, continuo trabalhando com uma série de parceiros para lançar um projeto com músicas próprias e inéditas, provavelmente em 2020. Tem muito trabalho pela frente. Só não posso contar para não estragar as surpresas que estão por vir", brinca.