A década de 1970 foi importantíssima para a música brasileira. Novos nomes surgiram, alguns se consolidaram, e hoje são lembrados por terem feito história na MPB – mesmo aqueles que tiveram curta duração. É o caso do Clube da Esquina, movimento musical encabeçado por Milton Nascimento e Lô Borges. Do grupo, nasceram dois álbuns: o antológico “Clube da Esquina” (1972) e “Clube da Esquina II” (1978).
Quase 50 anos depois do lançamento do disco histórico, Milton estreou, em março, a turnê “Clube da Esquina”, que celebra no palco essa obra memorável, reunindo canções dos dois álbuns. O show chega ao Espírito Santo neste sábado (3), em novo espaço de shows no Aeroporto de Vitória. Em entrevista ao Gazeta Online, Milton, o Bituca, falou um pouco sobre a turnê. Confira o bate-papo:
A ideia da turnê surgiu do seu filho... como recebeu essa ideia de celebrar os dois discos do Clube da Esquina após tanto tempo?
Realmente, essa foi uma ideia do meu filho, Augusto, que foi quem reuniu todo mundo, desde os músicos, produção, equipe técnica... E eu posso dizer com toda sinceridade que essa tem sido a turnê mais feliz da minha carreira. Além de todo o clima de amizade, nós ainda estamos celebrando os dois discos do Clube.
E a amizade foi algo importante na construção desses discos. Do que relembra com carinho quando olha pra trás e lembra desse encontro, dessa amizade e dos bastidores do Clube da Esquina?
A história do Clube da Esquina se resume na amizade. Sem isso, nós não teríamos feito nada. Até porque foi exatamente essa nossa união que nos levou até a música. E eu gosto sempre de falar na temporada que passamos em Mar Azul, na Praia de Piratininga, em Niterói, pouco tempo antes de irmos para estúdio gravar o “Clube 1”, quando Lô Borges, Beto Guedes e eu nos mudamos pra lá por uns meses.
Como foi a escolha do José Ibarra para integrar a turnê?
Eu sou padrinho da banda Dônica, grupo do qual Zé Ibarra faz parte, inclusive eu gravei uma música no disco de estreia deles. Então a gente já tinha essa proximidade, e o meu filho teve a ideia de trazê-lo para essa turnê. E o Zé tem feito um trabalho emocionante com a gente.
Nos últimos anos fez parcerias com Tiago Iorc, Criolo...Como é sua interação com essa nova geração da música brasileira?
Eu sempre gostei de ouvir a juventude, sempre. A gente aprende muito com os mais jovens, e na música não é diferente. No Brasil, todo dia aparece alguém fazendo alguma coisa, e isso é impressionante. Em lugar nenhum do mundo é assim.
Por que acha que o Clube da Esquina virou um marco da música popular brasileira?
Pra falar a verdade, esse é o tipo de pergunta que eu gosto mais quando as pessoas me contam suas sensações, falar da gente é difícil, né?
E olhando essas canções do jovem Milton, quem ele era nessa época e o que mudou nele hoje?
Nossa, muitas coisas mudaram... O mundo mudou muito, vivemos um outro tempo.
Como enxerga o momento atual da cultura no Brasil?
Olha, difícil..
E sempre lutou pelos povos indígenas, lutou contra o racismo. O Brasil piorou ou melhorou ao longo desses anos?
Nem precisa muito pra constatar, tá tudo muito esquisito viu...
SERVIÇO
Milton Nascimento Turnê Clube da Esquina
Quando: sábado (3), às 22h (abertura dos portões às 21h).
Onde: Espaço Patrick Ribeiro, Av. Roza Helena Schorling Albuquerque, s/n, novo Aeroporto de Vitória.
Ingressos: pista – R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia); cadeiras – R$ 115 (prata/inteira) e R$ 140 (ouro/inteira); mesas/4 pessoas – R$ 800 (bronze), R$ 920 (prata) e R$ 1040 (ouro). Assinantes do Clube A Gazeta têm 10% de desconto na mesa completa (4 lugares) e 50% de desconto nos demais setores do evento. Vendas: Espaço Patrick Ribeiro, Cafeteria e Choperia do Mestre, lojas Metal Nobre e no site Eventbrite.com.br.
Informações: (27) 99242-6062 e (27) 99707-0714.