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Séries

Crítica: "Sex Education" é aula de comédia adolescente

Já disponível na Netflix, série britânica bebe na fonte de John Hughes para mostrar que sexo não é sinônimo de baixaria

Publicado em 29 de Janeiro de 2019 às 21:22

Rafael Braz

Publicado em 

29 jan 2019 às 21:22
Sex Education Season 1 Crédito: Sam Taylor/Netflix

Fonte inesgotável de conteúdo, os dramas adolescentes podem assumir várias formas – podem ser a mesma história, atualizada com os tempos, como “Malhação”; podem assumir a forma de um “whodunit”, o famoso “quem matou?”, como em “Elite”; ou pode apostar na complexidade da adolescência para criar dramas interessantes, como os que eternizaram John Hughes (1950-2009).

A série britânica “Sex Education”, já disponível na Netflix, faz reverência ao trabalho de Hughes, como admitido pela própria criadora, Laurie Nunn, mas consegue ter sua própria identidade ao mesclar a fórmula americana de comédias adolescentes à cultura britânica.

Como o nome indica, tudo na série parece girar em torno de sexo. A trama acompanha Otis (Asa Butterfield), um jovem de 16 anos, filho da terapeuta sexual Jean (Gillian Anderson). Otis é um outsider, um daqueles sujeitos invisíveis que, ao lado do melhor amigo, Eric (Ncuti Gatwa), parece estar alheio à revolução hormonal que atingiu a escola em que estudam.

As coisas mudam para Otis quando, por um acaso, ele se aproxima de Maeve (Emma Mackey), uma menina descolada e temida na escola. Ela enxerga no jovem o potencial de fazer dinheiro ao explorar o boom sexual que os cerca e Otis passa, então, a vender conselhos de uma maneira não muito diferente do que sua mãe faz com seus pacientes.

EXPECTATIVAS

Sex Education Season 1 Crédito: Sam Taylor/Netflix

Por mais que pareça (mais) uma série sobre problemas adolescentes, “Sex Education” é, na verdade, um drama sobre pessoas. Todos os personagens principais e até alguns coadjuvantes de mais destaque têm dramas pessoais desenvolvidos em algum momento da trama.

Otis, por exemplo, mesmo se tornando uma espécie de “guru”, ainda é reprimido sexualmente falando; Maeve, em contrapartida, é bem resolvida sexualmente, mas tem dificuldades para se abrir com as pessoas... E assim a série caminha, com gays assumidos em busca de parceiros, héteros que não sabem como agir, mulheres que se preocupam em fingir para agradar os parceiros mas não conhecem o próprio corpo... Até Jean, uma terapeuta sexual, tem seus problemas na narrativa.

“Sex Education” acerta ao mostrar que todo mundo tem problemas, do atleta mais popular da escola à menina “esquisitona”. É justamente no uso desses estereótipos que a série quebra as barreiras pré-estabelecidas e desperta uma inusitada identificação do público com personagens de perfis diferentes daqueles com os quais normalmente nos identificamos – enxergar as dores dos outros e aprender com o diferente já é um passo para uma sociedade com mais empatia, e a série cumpre bem o papel de despertar isso.

O roteiro dá algumas derrapadas por alguns clichês, mas isso talvez funcione para não afastar o público de comédias românticas mais tradicionais. “Sex Education” prova que não é necessário ofender para fazer humor ou ser esdrúxulo para falar de sexo; e acredite, a série fala (e mostra) sexo dentro das possibilidades de um show voltado para adolescentes. Um acerto gigante da Netflix.

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