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Cultura

Representantes do governo federal vão à Cinemateca acompanhados pela PF

Objetivo era reaver as chaves na instituição, que está no centro de uma disputa que se arrasta há meses

Publicado em 07 de Agosto de 2020 às 12:38

Redação de A Gazeta

Publicado em 

07 ago 2020 às 12:38
Membros da Advocacia Geral de União (AGU) cumprem determinação do Ministério da Cultura e assumem o controle da Cinemateca Brasileira, na zona sul de São Paulo (SP), nesta sexta-feira (7)
Membros da Advocacia Geral de União (AGU) cumprem determinação do Ministério da Cultura e assumem o controle da Cinemateca Brasileira, na zona sul de São Paulo (SP), nesta sexta-feira (7) Crédito: Suamy Beydoun/Agif/Folhapress
A Polícia Federal acompanhou, na manhã desta sexta-feira (7), o secretário nacional do audiovisual substituto, Helio Ferraz de Oliveira, em uma operação na Cinemateca Brasileira, que há meses se encontra no centro de um imbróglio entre o governo federal e a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, que a administra.
Segundo funcionários da instituição, eles chegaram por volta das 9h, de forma "ostensiva" -havia duas viaturas da PF e da Guarda Civil Metropolitana no local.
Após reunião na qual participaram também coordernadores da Cinemateca, representantes da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual e Roberto Gervitz, da Associação Paulista de Cineastas, as chaves da instituição foram entregues ao poder público.
Procurado, o Ministério do Turismo disse que não comentaria o caso por telefone. A assessoria de imprensa do órgão também não respondeu aos emails da reportagem.
O secretário especial da Cultura, Mário Frias, havia enviado, nesta semana, um ofício à Roquette Pinto pedindo a "entrega das chaves" da Cinemateca ao governo até esta sexta. O pedido aumentou as tensões entre o governo e a Roquette Pinto, que há meses estão numa disputa envolvendo a insituição.
O governo federal argumenta que o contrato da associação se encerrou no fim do ano passado. Ela, por sua vez, afirma que o acordo vale até 2021. O impasse se deve a um adendo ao documento, cuja validade jurídica é questionada.
Um dos principais acervos audiovisuais da América Latina, a Cinemateca Brasileira está há meses sem receber repasses financeiros do governo. Seus funcionários estão sem receber salário e a sede da instituição deixou de contar com serviços essenciais para seu funcionamento.
No mês passado, o Ministério Público Federal ajuizou ação civil contra a União devido aos impasses em torno da gestão da Cinemateca, alegando que o Poder Executivo é responsável pelo "estrangulamento financeiro e abandono administrativo" do órgão.
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