A maternidade precoce está mais presente onde há pobreza e falta de perspectivas. Os dados da reportagem da CBN Vitória publicados na quarta-feira (7) neste jornal ajudam a comprovar a afirmação. O recorte é o município de Vitória: os bairros de periferia registram quatro vezes mais casos de gravidez na adolescência do que as áreas mais nobres. Por mais localizados que sejam esses números, resultados de uma pesquisa da Unicef e da Secretaria de Saúde Municipal, eles refletem uma realidade que certamente se repete em outros centros urbanos.
Não há dúvidas, portanto, de que enquanto persistir esse abismo social, meninas continuarão trocando suas bonecas por bebês numa proporção inaceitável. Mas a mudança precisa começar de algum lugar, e não há outro caminho a não ser a educação. A tarefa é multidisciplinar, de uma forma que abra os olhos e amplie o panorama para a vida dessas adolescentes. As possibilidades proporcionadas pelo estudo precisam cativá-las. É trabalho inglório diante de outros trajetos mais fáceis e sedutores, mas não podemos desistir.
Especificamente sobre a educação sexual – além da gravidez, as doenças sexualmente transmissíveis também devem ser alvo –, é indispensável que as orientações levem em conta o contexto atual, que impõe que o sexo seja tratado sem hipocrisia. Sem isso, o resultado será inócuo.
Não se pode relevar também os riscos à saúde da mãe e do bebê nessas gestações precoces. Ações preventivas têm, portanto, relevância social indiscutível. Uma gravidez tão fora de hora sepulta projetos de vida que nem chegaram a ser sonhados, quando não se consegue enxergar um futuro melhor.