Do alto da experiência de quem já exerceu muitos mandatos na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD) não tem a mínima dúvida: do jeito que está, o projeto orçamentário que o governo Paulo Hartung enviou para a Assembleia é inviável. E, se não quiser ter complicações já no primeiro ano de mandato (2019), o governador eleito, Renato Casagrande (PSB), terá que alterar o projeto com a ajuda de deputados aliados neste fim da atual legislatura.
"O primeiro passo para Casagrande garantir a governabilidade no ano que vem é rediscutir esse orçamento, como o governador Paulo Hartung fez no fim de 2014. Entendo que o orçamento que está aqui é inviável para o governo no ano que vem."
Enivaldo fala com o conhecimento de quem testemunhou de perto um precedente de desastre financeiro no governo estadual: a administração de Vitor Buaiz, então no PT, entre 1995 e 1998. Na segunda metade do governo, Enivaldo foi o líder de Vitor na Assembleia. Apostando contra o Plano Real, o então governador concedeu um reajuste ao funcionalismo público estadual, logo no início da administração. Mas a inflação ficou sob controle, e o aumento se tornou impagável, gerando greves e dificuldades de caixa.
"O governo Vitor cedeu à pressão de corporações e deu um aumento impagável ao funcionalismo", recorda Enivaldo.
Para o parlamentar, o aumento de 4,5% anunciado pelo governo Paulo Hartung para todos os servidores ativos e inativos em 2019 vai deixar o próximo governo em situação fiscal delicada.
"EMBATE DE ILUSÕES"
Falando em pressões de corporações, o deputado manifesta preocupação com uma peculiaridade do próximo plenário, com o qual Casagrande terá que saber lidar: a eleição de quatro deputados vindos das forças policiais capixabas (dois da Polícia Civil e dois da Polícia Militar) e a euforia com que eles devem chegar ao Legislativo, reivindicando aumentos e investimentos para a categoria.
"O governo vai precisar de uma Mesa Diretora forte aqui, até para aguentar esse tipo de embate de ilusões: pessoas querendo que o governo do Estado dê acréscimos, aumentos, situações a que o governo não tem condições de ceder."
Para Enivaldo, no entanto, o próprio Casagrande tem se colocado em posição difícil na medida em que ele mesmo é quem tem alimentado essas ilusões. "Eles [representantes dos policiais] vão reivindicar, até porque isso foi alimentado. O próprio governador eleito alimentou um pouco isso."