Com o objetivo de decidirem o que fazer após o anúncio do presidente Jair Bolsonaro de que deixará o PSL, o presidente estadual do partido, Carlos Manato, reuniu-se, no escritório dele, com três dos quatro deputados estaduais do PSL na tarde desta quarta-feira (13): Capitão Assumção, Danilo Bahiense e Torino Marques. Conclusão: todos ficam no partido, até segunda ordem. Ou melhor: vão ficando, pelo menos, até o novo partido de Bolsonaro, Aliança pelo Brasil, estar oficialmente fundado. “A ordem é permanecer, por enquanto”, resume Manato.
Os quatro fizeram questão de demonstrar unidade entre si, não só na foto acima (na linha “uma imagem vale mais que mil palavras”) como nos discursos unificados. A entrevista para a coluna, por exemplo, foi dada por meio do recurso de “viva voz”, com os quatro escutando ao mesmo tempo.
Assumção, Torino e Bahiense são as principais apostas do PSL nas eleições municipais de 2020. Respectivamente, Manato quer lançá-los a prefeito de Vitória, da Serra e de Vila Velha. A questão, como já abordamos aqui, é que, se saírem de qualquer maneira, antes da fundação oficial da Aliança pelo Brasil, os três podem ficar impossibilitados de concorrer à próxima eleição municipal.
Além disso, se saírem do PSL sem justa causa antes da próxima janela para deputados trocarem de partido (prevista só para março de 2022), os três correm o risco de perder o mandato atual na Assembleia, que poderá ser requerido, por exemplo, pelo primeiro suplente da coligação: o ex-vereador de Vitória, Devanir Ferreira (Republicanos).
Consciente disso, Manato segurou os ânimos do trio de deputados. O discurso de todos agora é que querem migrar, sim, para a sigla a ser fundada por Bolsonaro, mas só “na boa”, no momento certo e seguro.
“Se os três vão trocar o PSL pelo novo partido de Bolsonaro? Vai depender da formação ou não do partido a tempo de participar do próximo processo eleitoral. Os três vão sair se Bolsonaro formar o partido dentro do prazo eleitoral e se a lei permitir a migração. Não tem partido ainda. Sair para onde? Se eles saírem hoje, amanhã o suplente já pega a vaga deles”, pondera Manato, realista.
Os três deputados e Manato também buscaram demonstrar unidade no apoio incondicional a Bolsonaro.
“Somos todos Bolsonaro”, afirmou o presidente do PSL-ES. “Vamos ajudar a formar o Aliança pelo Brasil, independentemente de qual grupo vai comandar esse partido no Espírito Santo. Não estamos preocupados se o partido vai ficar com A, B, C ou D à frente dele. Nós quatro já estamos trabalhando isso em nossas redes sociais”, completa Manato, que, no entanto, não acredita nessa anunciada fundação, em tempo recorde, de um partido político no país.
"Eu não vi ainda na história recente nenhum precedente de se conseguir formar um partido tão rapidamente"
Manato, Assumção, Bahiense e Torino pretendem participar da primeira convenção nacional da Aliança pelo Brasil, marcada para o próximo dia 21, até para se inteirarem melhor sobre os planos para esse novo partido bolsonarista.
TORINO
O discurso de Manato parece ter feito efeito sobre Torino e Bahiense, que têm mesmo tendência de acompanhar a migração de Bolsonaro, mas demonstram consciência sobre os riscos que correm em caso de afobação e desfiliação precipitada. O discurso de ambos é na linha “quero sair, mas não de qualquer jeito”.
“Eu com certeza irei para o partido do Bolsonaro. Mas temos que esperar para saber como vamos sair e para fazer tudo na legalidade. Não podemos sair de qualquer forma, senão só vamos ajudar o suplente”, afirma Torino.
BAHIENSE
Já Danilo Bahiense reiterou sua nota de “que acompanha as movimentações do presidente Jair Bolsonaro, mantém apoio incondicional ao chefe do Executivo nacional e que neste momento permanece no PSL. Todas as ações presentes e futuras do mandato são estabelecidas dentro da legalidade”.
ASSUMÇÃO
Um tom acima, Capitão Assumção fez discurso no plenário da Assembleia na terça-feira (12) afirmando que seu partido é o de Jair Bolsonaro etc., mas sua fala pode ser interpretada como um movimento para marcar território no campo do bolsonarismo, impedindo que outros se apropriem desses espaço. Assim como Torino e Bahiense, ele tem perfeita consciência dos riscos inerentes a uma saída açodada.
Já nesta quarta-feira, acompanhou as declarações de Manato e dos colegas, no sentido de sair só quando for possível.
E QUINTINO?!?
Manato tem falado em “três deputados”. O PSL na verdade possui quatro na Assembleia. Como já registramos neste espaço, o presidente estadual da sigla não conta mais com o Coronel Quintino, hoje muito mais próximo do governo de Renato Casagrande (PSB). Procurado pela coluna, o deputado informou, por meio da assessoria, que, neste momento, pretende ficar no PSL.