De acordo com o projeto de lei do novo PDU de Vitória, a zona do Parque Tecnológico, em Goiabeiras, compreende a uma área de cerca de 330 mil m2. Esta área, na forma do PL, se destinaria exclusivamente à instalação de empresas do setor de tecnologia. Esta exclusividade, um dos pontos mais polêmicos do projeto, gerou um grande acirramento dos ânimos das partes interessadas. As divergências - vale ressaltar - não decorrem propriamente do parque, mas especificamente da proibição de outras atividades naquela zona.
A Câmara Municipal, cumprindo o papel de colocar em primeiro plano os interesses gerais da cidade, após inúmeras conversas dos vereadores com as partes envolvidas, aprovou uma emenda permitindo nessa área a construção de residências e estabelecimentos de comércio e serviços.
A destinação exclusiva, proposta pelo Poder Executivo - que detém o poder de veto da referida emenda -, se tornou questão delicada, uma vez que a Câmara conta com a possibilidade de derrubar o veto. Pergunta-se, então: haveria uma alternativa que contemple basicamente os interesses das partes? Vejamos os principais interesses envolvidos: a) O das empresas de tecnologia, que desejam dispor de uma determinada área para concentração das suas atividades; b) O da comunidade local, que quer evitar parte do bairro deserta à noite; c) E dos moradores da Capital, a conveniência de ser oferecida aos profissionais do futuro parque moradia no próprio local de trabalho, a fim de reduzir os deslocamentos em benefício da mobilidade.
Por oportuno, vale esclarecer que a emenda aprovada pela Câmara não implica em redução da área destinada ao parque. Nesse sentido, com a emenda, foi aumentado o coeficiente construtivo das quadras destinadas à implantação do parque, o que assegura às empresas de tecnologia a manutenção da mesma área edificável prevista no PL proposto pela prefeitura. Com efeito, não parece existir razão consistente para as lideranças da tecnologia capixaba não aderirem ao parque (conforme noticiado).
Neste contexto, percebe-se que só com o diálogo as dificuldades poderão ser superadas e os interesses conciliados. A prefeitura, como responsável pelo desenvolvimento da cidade, poderá buscar um entendimento. A não concretização do parque seria o pior desfecho.
*O autor é engenheiro civil, empresário, conselheiro da ADEMI-ES e do PDU de Vitória