Com a vitória do grupo político de Casagrande, tendo em Luciano o principal aliado, muitos coadjuvantes que gravitam em torno dos dois se credenciam para pleitear a vaga de candidato do grupo à sucessão de Luciano
Os resultados das urnas no Espírito Santo em outubro, principalmente com a vitória de Renato Casagrande na disputa ao governo do Estado, e a formação em curso da equipe do governador eleito inauguraram, com dois anos de antecedência, a disputa pela Prefeitura de Vitória em 2020. De modo mais específico, determinaram a largada de uma disputa íntima no interior de uma das alianças mais azeitadas da política capixaba nos últimos anos: aquela entre o PSB de Casagrande e o PPS do prefeito da Capital, Luciano Rezende.
Com a vitória do grupo político de Casagrande, tendo em Luciano o principal aliado, muitos coadjuvantes que gravitam em torno dos dois se credenciam para pleitear a vaga de candidato do grupo à sucessão de Luciano. Sobram nomes para o posto: por parte do PSB, Sergio Majeski, Sérgio de Sá, Tyago Hoffmann e até Davi Esmael. Pelo lado do PPS, Fabrício Gandini e Lenise Loureiro.
Na realidade, o excedente de potenciais candidatos nas duas pontas da aliança inspira uma primeira dúvida: desse grupo sairá apenas um candidato (o que significa que um dos partidos terá que ceder em nome da replicação da aliança na eleição em Vitória) ou cada qual terá o próprio postulante?
Pelo lado do PPS, o grande favorito do grupo segue sendo o vereador Fabrício Gandini, segundo fontes das duas legendas. Homem de confiança de Luciano, Gandini chega à Assembleia em 2019 com uma resolução: representar, no plenário, as “pautas da cidade de Vitória pendentes junto ao governo estadual”, como a conclusão das obras da Leitão da Silva e as tratativas com a Cesan. Por óbvio, ao defender os interesses da cidade (e os da gestão de Luciano), Gandini defenderá o próprio projeto, usando o mandato na Assembleia para se projetar e pavimentar a candidatura. Um quadro do PPS com trânsito livre no gabinete de Casagrande confirma que a prioridade total do partido é lançar Gandini.
Mas correndo por fora há Lenise. Ex-secretária de Desenvolvimento da Cidade, ela também priva da confiança de Luciano (e de Casagrande). Por um triz não se tornou vice-governadora. Considerada carta curinga (ou super trunfo), ainda não foi anunciada, mas, por seu perfil, pode ser designada para a Secretaria de Gestão e Recursos Humanos. Cogita-se também que ela possa assumir uma função estratégica de integração metropolitana. Nesse caso, ganharia ainda mais visibilidade, o que pode desaguar, quem sabe, em uma candidatura em 2020.
Já no PSB, Majeski saiu forte das urnas, reeleito como o candidato a deputado estadual mais votado no Estado – em um cenário muito refratário a quem já exercia mandato. Acumulando a Secretaria de Obras de Vitória, o vice-prefeito Sérgio de Sá pode crescer. Hoffmann também não está descartado, embora uma candidatura sua tenha perdido força devido à pasta em que foi escalado na administração de Casagrande: muito “voltada para dentro”, a Secretaria de Governo é essencial para a gestão, mas dá zero projeção a quem a ocupa. Por fim, até o vereador Davi Esmael inclui a si mesmo no rol de prefeitáveis.
Como eleição não é ação entre amigos, promete ser uma briga boa entre aliados.
Majeski preterido
O deputado Sergio Majeski (PSB) não gostou de saber pela imprensa que Casagrande definiu o secretário de Educação. Na última quarta (7), ele manifestou a Casagrande interesse em chefiar a pasta. Antes de ontem (12), durante o anúncio, foi ao gabinete de Casagrande, sem ter agendado. Não chegou a ser recebido. Foi embora dizendo que não poderia seguir esperando.
De Davi para Davi
Davi Esmael afirma: “O PSB terá candidato a prefeito de Vitória. E não será o do PPS”. Disse isso na cara de Davi Diniz (PPS), secretário da Fazenda de Luciano. Recém-nomeado chefe da Casa Civil a partir de 2019 no governo Casagrande, Diniz terá que segurar as pilastras dessa ponte entre o PPS e o PSB.
Logo antes da campanha
Davi Esmael, entretanto, está queimado com Casagrande, por sua intensa atuação de bastidores na eleição de Clebinho (PP) para a presidência da Câmara de Vitória em 2019-2020, tirando o comando do PPS e gerando fratura na relação com o PSB em momento delicadíssimo (julho).
Lenise na Saúde?
Lenise Loureiro está entre os quatro integrantes da equipe de transição do governador eleito, onde tem sido responsável por levantar dados e desenvolver ideias nas áreas de Saúde e de Educação. Na Secretaria de Educação, Casagrande preferiu escalar o cientista político Vitor de Angelo.
E na Saúde, é possível que Casagrande escale Lenise? Hoje não é a hipótese mais plausível. O deputado federal Paulo Foletto, que é médico e está farto de Brasília, é cotado para a pasta. Mas só para lembrar: no fim de 2014, Paulo Hartung escalou Ricardo de Oliveira (um gestor, como Lenise) para comandar a Saúde. E lá está ele até hoje.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.