Como a coluna registrou no Gazeta Online, Esmael Almeida apresentou pedido de retirada do projeto que pretendia criar o Dia do Homem no Estado. A proposta era dele mesmo
Enquanto todos os holofotes no terreno das incertezas políticas estão voltados para os candidatos a presidente deste ano, há outra preocupação pulsando nos meios partidários. Trata-se da eleição de deputados federais, que ganha um grau extra de relevância por conta do início da aplicação gradativa, este ano, da cláusula de barreira e do fim das coligações partidárias a partir de 2020.
Sem ao menos 1,5% dos votos válidos em nove Estados, com um mínimo de 1% em cada um deles, o partido perderá o acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda na TV já em 2019. Significa dizer que as agremiações que não ultrapassarem a barreira não terão outro caminho a não ser fechar as portas. E, em geral, os partidos brasileiros não sobrevivem sem serem irrigados por verba pública.
No Espírito Santo, os dirigentes partidários compartilham da mesma aflição, tanto os que comandam partidos menores quanto os administradores de legendas de maior porte. Em busca de bons resultados, pretendem gastar mais para conseguir as vagas. Eis alguns exemplos:
Neucimar Fraga (PSD): “A eleição para federal é a que tem mais importância para os partidos do que a de qualquer outro cargo. Gilberto Kassab (presidente nacional) tem manifestado esse desejo. O PSD vai concentrar tempo, estratégia e recursos para a campanha de federal.”
Luiz Ciciliotti (PSB): “O PSB vai tratar essa questão com muita importância. É importante eleger estadual, mas o voto para federal conta mais”.
Serjão Magalhães (PTB): “O foco dos partidos é ter os votos para deputado federal. Se não tiver, para de receber fundo partidário e o tempo de TV. Praticamente deixa de existir”.
Eleger federais sempre foi importante e sempre determinou o acesso ao fundo. Desta vez, contudo, há o tempero do fim das coligações. A partir de 2020, partidos estarão impedidos de juntar chapas de candidatos para aumentar o quociente eleitoral. Cada um vai com o que tem para as disputas proporcionais.
Há um desconforto para as siglas? Há. Mas nada de tirar o sono. É possível que o fim das coligações aumente a infidelidade partidária e ressignifique a perversa figura do puxador de votos.
É provável que a verdadeira ameaça aos partidos desconectados da realidade esteja no mistério que habita a cabeça do eleitor, narcotizado com tantos desmandos. Pesquisa de dezembro do Instituto Paraná Pesquisas apontou que 41,7% dos brasileiros pretendiam anular o voto para deputado federal.
A disputa pela Câmara é importante e demandaria, no mínimo, o mesmo nível de engajamento do eleitor com a corrida presidencial. Em quatro anos, sobraram exemplos para assimilar a importância e o baixo nível do Legislativo. Lamentavelmente, ainda não dá para esperar muito de quem mal lembra em quem votou, nem de partidos sem autocrítica.
Alimentos e candidatos
O vereador de Vitória Leonil Dias (PPS) acha que os partidos precisam focar, nas disputas à Câmara Federal, em seus quadros “orgânicos”, aqueles militantes partidários reais. É o único jeito de eleger e manter boas bancadas em Brasília. Leonil é o vereador de primeiro mandato que quer virar deputado federal e, claro, considera ele mesmo um bom exemplo de pré-candidato “orgânico”.
A eleição está aí
O PROS faz amanhã a sua convenção estadual para eleger o diretório estadual, na Câmara de Vitória. Vai aproveitar a oportunidade para anunciar publicamente uma aliança com o PRB, o novo celeiro de pré-candidatos governistas. Será o primeiro anúncio formal de parceria de olho na eleição para deputado federal.
Todos amigos
De acordo com o presidente do PROS, Sandro Locutor, é possível antecipar o bloco porque ambos os partidos formam “um grupo da base do governo que se comunica muito bem” e “a aliança já se dá no plenário da Assembleia”. Amaro Neto (PRB) assina embaixo.
Arraiá de Foletto
Paulo Foletto (PSB) promete que o evento de prestação de contas dele, amanhã, em Colatina, não terá só falatório político. Vai ter pé de moleque e canjicão. É arraiá, é junho e, claro, é ano de eleição!
E por falar em arraiá...
Impressionante a sincronia de Paulo Hartung e Audifax Barcelos na inauguração do CRAS de Vila Nova de Colares. Arriscaram uns passinhos coordenados. Estão ensaiando uma dança política há tempos. Vão esticar o arraiá até outubro? (Leia mais no Gazeta Online)
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.