
Na semana passada, o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) atualizou os dados relativos ao PIB do Espírito Santo para o ano de 2016. No agregado, o total de riqueza nova produzida no Estado caiu em termos nominais mais do que indicava a estimativa prévia do PIB trimestral.
De uma estimativa de aproximadamente R$ 114 bilhões, chegou-se efetivamente com cálculos mais precisos a R$ 109,2 bi. Isso significa um encolhimento nominal, ou seja, sem retirar o efeito inflacionário, de 9,5% em relação a 2015. A queda real, no entanto, foi de 5,3%.
O PIB capixaba já vinha apresentando sinais de crise desde 2012, antes mesmo do país. Em 2012, a queda real foi de 0,7%, contra um crescimento de 1,9% do PIB nacional. Num comparativo de séries entre 2010 a 2016, vamos ver que enquanto a economia capixaba cresceu a uma média anual de 0,3%, na economia brasileira essa média foi de 0,4%. Na verdade, 2016 foi para o país e para o Espírito Santo o “fundo do poço”.
O que então teria causado essa queda maior do PIB no Espírito Santo? Nós tivemos uma sincronia de comportamentos negativos de atividades consideradas essenciais na determinação da dinâmica econômica. Uma de origem externa, que atuou principalmente via preços das commodities que exportamos; outra, de origem interna, combinando retração do mercado nacional com a crise do setor agrícola causada pela seca.
Falando estritamente da composição do nosso PIB, ficou bem claro o peso relativo das commodities, principalmente aquelas que integram as atividades denominadas de extrativa mineral, como petróleo, gás e pelotas de minério. Em 2012, esse setor respondia por 26,5% do PIB, algo em torno de R$ 30,9 bilhões; em 2016, a participação caiu para apenas 5%, o correspondente a R$ 5,2 bilhões. Numa abrangência maior, o setor industrial perdeu 13,6 pontos percentuais de participação no mesmo período: de 43,2% para 24,5%.
No caso específico da commodity mineral “pelotas de minério”, tivemos dois efeitos na mesma direção negativa: preço e quantidade produzida e exportada. Enquanto em 2011 foram exportadas 47 milhões de toneladas de pelotas de minério a um preço médio de US$ 180, em 2016 foram apenas 25 milhões de toneladas, ao preço médio de US$ 59. Mais da metade dessa queda foi decorrente da saída da Samarco do mercado. Esses dois efeitos acabaram suplantando em muito a própria desvalorização cambial. Na mesma direção também caminhou o preço do petróleo.
O peso desses produtos acabou, inclusive, afetando o deflator (medida do nível de preços) implícito do produto, que pela primeira vez apresentou valores negativos dois anos seguidos: -4,5% em 2015 e -4,2% em 2016. Esses mesmos produtos, no entanto, farão com que a economia capixaba volte a crescer acima da média nacional.
* O autor é economista