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Opinião da Gazeta

Tão vital quanto erguer grades é trabalhar por escola mais inclusiva

Tragédias como a da Escola Raul Brasil não são só uma questão de segurança, mas também de relações mais saudáveis em sociedade

Publicado em 14 de Março de 2019 às 02:33

Públicado em 

14 mar 2019 às 02:33

Colunista

Parentes de vítima em atentado na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP) Crédito: Agência Estado

Columbine. Virginia Tech. Sandy Hook. Nomes de escolas e universidades norte-americanas que ganharam a notoriedade mais indesejada ao se tornar cenários de massacres que ainda maculam os Estados Unidos. Ontem, o Brasil testemunhou incrédulo sua própria tragédia. Dois jovens mascarados invadiram a Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), e mataram oito pessoas, cinco delas estudantes. Depois, um deles matou o parceiro e em seguida se suicidou. Um roteiro tão similar aos ataques em massa em território norte-americano que provoca assombro, por ser raro por aqui. No rol das (tantas) tragédias particulares brasileiras, esses episódios passam longe da recorrência que se vê nos Estados Unidos.

A consternação se espalhou na mesma velocidade que as especulações, ainda que houvesse pouca informação concreta sobre as motivações da dupla. Aos poucos, as peças vão se encaixando para formar o painel que será capaz de, pelo menos, suavizar a angústia. Um ataque como o de Suzano atordoa principalmente por sua covardia. Mas nunca é unidimensional, e ressaltar a importância do contexto de vida dos assassinos não significa perdoá-los de todo o mal. É justamente o diagnóstico que será minimamente capaz de evitar que tamanha barbaridade se repita. O Brasil é um país com problemas sociais gravíssimos, difíceis de serem superados com tanta desigualdade. A violência de Suzano acaba provocando outras indagações, principalmente relacionadas a como a sociedade tem encarado questões no campo da saúde mental.

É uma tragédia que poderia ter sido evitada? Talvez, se houvesse mais segurança na escola. O que não cabe é o proselitismo oportunista em questões tão sensíveis quanto o porte ou a posse de arma. É uma irresponsabilidade defender tão categoricamente que um professor armado poderia ter interrompido o ataque, como defendeu o senador Major Olímpio.

Como não há respostas prontas, as possíveis soluções devem ser deliberadas em conjunto, com participação ativa das autoridades públicas. Mas é preciso ter em mente que tão importante quanto erguer grades e contratar seguranças é trabalhar por uma escola mais inclusiva, inserida numa sociedade com relações mais saudáveis.

 

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