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Opinião da GAZETA

Ninguém é obrigado a seguir um incendiário como Olavo de Carvalho

O presidente Jair Bolsonaro precisa começar a se impor, há mais de 200 milhões de brasileiros que esperam resultados de seu governo

Públicado em 

08 mai 2019 às 22:12

Colunista

Escritor Olavo de Carvalho, ex-astrólogo Crédito: Reprodução Instagram
Só há um responsável pela ascendência exercida por Olavo de Carvalho sobre certos setores de Brasília: o próprio Jair Bolsonaro. É impensável que o governo continue patinando, teleguiado por um dito ideólogo, via videoconferência e redes sociais, enquanto o país acumula problemas que ainda massacram a população. Foi para resolvê-los que Bolsonaro foi eleito por 57,8 milhões de brasileiros. Pelo poder concedido a ele pelas vias democráticas, desde janeiro passou a dever satisfações a todos os cidadãos deste país, não a um guru autoexilado nos Estados Unidos. São 202 milhões de brasileiros esperando resultados.
Bolsonaro precisa compreender que não tem nenhuma dívida com o olavismo, mesmo que tanto se fale que a atuação de Carvalho tenha sido determinante para a sua eleição. Seu compromisso não é nem mesmo com os militares, nesse cabo de guerra público e insólito no qual conseguiram transformar a atual gestão. Precisa estar, sim, a postos para a defesa dos interesses coletivos da nação. Razões não faltam. A estimativa de crescimento da economia em 2019 foi mais uma vez rebaixada, não passando de 1,5%. Já o desemprego não retrocede, atingindo 13,4 milhões. E a reforma da Previdência, medida essencial para a reorganização econômica e social, acaba virando coadjuvante diante desse festival de besteiras que assustaria até mesmo o cronista Stanislaw Ponte Preta em plena ditadura militar.
Jair Bolsonaro, presidente da República Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil
A influência do autoproclamado filósofo sobre os filhos de Bolsonaro, discorde-se ou não da cartilha, deveria se restringir a eles, livres para serem discípulos de quem bem entenderem. Mas o país não é obrigado a seguir os ditames de um incendiário. O pior é que a inconsequência de Olavo de Carvalho se supera a cada dia. Conhecido como uma metralhadora de impropérios, Olavo conseguiu confirmar seu apreço pelo politicamente incorreto ao fazer referência no Twitter, na quarta-feira, ao general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, como “um doente preso a uma cadeira de rodas”. O general sofre de esclerose lateral amiotrófica, uma doença grave e degenerativa. Um comentário vil, de um personagem que se mostra desqualificado para a vida pública.
A crítica de Villas Bôas após o ataque foi precisa: “Praticamente todas as crises que nós vivemos desde que o presidente Bolsonaro assumiu têm a participação direta ou indireta do Olavo de Carvalho, que não contribui.” É a única eficiência do olavismo até agora.
O presidente Jair Bolsonaro participa da solenidade de passagem de Comando do Exército do general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas ao general Edson Leal Pujol, em janeiro Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil
Olavo de Carvalho conseguiu até mesmo subverter o conceito de eminência parda, do poder exercido nos bastidores. Não se sabe a amplitude real desse prestígio, mas ele faz de Bolsonaro o seu Richelieu publicamente, sem precisar se esconder: sua eminência beira a fluorescência. Mesmo que, ironicamente, insista em fugir dos parâmetros iluministas, que forjaram os avanços científicos que trouxeram a humanidade ao ponto em que se encontra, no século XXI.
O presidente adota um tom conciliador constrangido, com receio de abalar o humor do guru da Virginia. Deveria se impor, como faz quando convém. Ou correrá o risco de entrar para a história como um fantoche.

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