A situação da BR 262 é vergonhosa sob qualquer aspecto. É inaceitável que a rodovia permaneça com as características de 50 anos atrás, quando a frota brasileira, além de drasticamente menor, também era constituída de veículos com menos impacto viário. Já quanto a sua manutenção, constata-se a incapacidade do Dnit de ao menos reduzir os desgastes de uma via tão ultrapassada.
O traçado predominantemente sinuoso, a sua marca registrada, é um problema. Sabe-se que, por isso, duplicar a BR 262, do ponto de vista da engenharia rodoviária, é desafiador, mas o mundo – e até mesmo o Brasil – tem exemplos de grandes obras de infraestrutura à primeira vista impraticáveis que conseguiram sair do papel. Os entraves burocráticos e a incapacidade gerencial permanecem inviabilizando os projetos ousados, fazendo com que se contente com a mediocridade – porque até ela parece inalcançável.
É por isso que se torna tão necessário aumentar o sarrafo da modernização da BR 262. Um país tão dependente da estrutura rodoviária não pode continuar apenas tapando seus buracos. É uma via federal que chega até o Centro-Oeste, um importante eixo econômico e turístico que pode ser mais bem aproveitado. Uma estrada com mais qualidade nos pavimentos, desenvolvidos com métodos de dimensionamento mais condizentes com a atual realidade viária, tem impactos nos custos do sistema produtivo (se aliados a outros modais, maiores ainda) e atrai visitantes. Até quando o poder público continuará pensando tão pequeno?
O fiasco do leilão de concessão à iniciativa privada em 2013 deve servir como parâmetro para o projeto que começa a ser implementado pelo Ministério da Infraestrutura. Não há mais tempo para erros. Na ocasião, as regras do edital lançado pelo governo Dilma Rousseff não agradaram, e nenhum consórcio se candidatou.
É necessário encontrar o caminho que concilie o interesse do mercado, que precisa enxergar as vantagens do negócio, ao retorno social e econômico.
Chega de planejar puxadinhos e soluções remendadas para garantir melhorias temporárias. O tempo passou para a BR 262, e autoridades políticas capixabas – governo estadual e bancada – têm de encampar com Brasília um modelo de concessão que não peque pela timidez. Também devem estar atentos às letras miúdas do contrato, para que a duplicação não vire uma dor de cabeça como a da BR 101.