Em uma decisão que passou longe do consenso entre especialistas em relações internacionais, o governo Jair Bolsonaro decretou, unilateralmente, o fim da exigência do visto para norte-americanos, australianos, japoneses e canadenses em viagem ao Brasil, sob a justificativa de impulsionar o turismo. No ano passado, com a implementação de um modelo de visto eletrônico para turistas dessas quatro nacionalidades, houve um crescimento de 15,7% de visitantes em relação a 2017, segundo a Embratur, por conta da facilidade que veio de bagagem com a informatização do procedimento.
É possível, portanto, que a polêmica determinação contribua para que o Brasil se torne mais chamativo aos olhos dos estrangeiros. Mas é inocência acreditar que só o fim da burocracia (que continuará sendo exigida aos brasileiros, diga-se) será capaz de nos colocar, enfim, em destaque no mapa do turismo mundial. Dados de 2016 apontavam que o país não estava nem entre os 40 mais visitados. Atrações e belezas naturais não faltam em sua extensão quase continental, mas isso não basta para uma indústria que preza tanto pelo bem-estar. Sem a garantia da infraestrutura compatível com o conforto esperado em uma viagem de férias, não há quem se anime a embarcar em uma roubada.
O Ministério do Turismo almeja voos altos, fazendo crescer de 6,6 milhões para 12 milhões a chegada de visitantes vindos do exterior até 2022. A gestão do setor, para ter sucesso, terá de se alinhar cada vez mais com áreas que têm impacto direto no turismo. A logística de transporte, em todos os níveis e modais, é uma prioridade. A malha aérea brasileira ainda possui deficiências que repelem o deslocamento interno, sem falar no seu alto custo. Regiões turísticas próximas, que poderiam ser integradas por transporte terrestre, são tratadas de forma isolada. A má qualidade das estradas é outro empecilho, e não há transporte ferroviário. Os portos, importantes para o setor de cruzeiros, também são precários. E o próprio deslocamento urbano nas grandes cidades é plenamente insatisfatório.
Outro ponto que afasta o turista estrangeiro é a segurança pública. O Brasil não é um país que exporta boas notícias para o mundo, o que contribui para esse isolamento internacional. A desconstrução dessa imagem depende de avanços sociais e políticas públicas que ainda parecem distantes demais de serem implementadas. O que mostra como o combate à violência é importante em múltiplos aspectos.
Ao mesmo tempo, destinos menos óbvios, distantes do esquema Rio-São Paulo-Bahia, ainda ficam escondidos do público estrangeiro, por carências de publicidade. O Brasil é extenso, com características regionais e ambientais distintas, um atrativo inigualável. É preciso escancará-los para o mundo, aprimorando, é claro, os serviços oferecidos. O turismo foi responsável por gerar US$ 8,8 trilhões (10,4%) ao PIB mundial, segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), sendo responsável pela abertura de um a cada dez postos de trabalho no planeta. Como se vê, o Brasil não pode continuar de fora.