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Opinião da Gazeta

Desrespeitar leis de trânsito é assumir risco de matar ou morrer

Número de mortes no trânsito no país equivale à queda de um Boeing 737 lotado por dia, e a maioria poderia ser evitada se as pessoas cumprissem regras ou seguissem o bom senso, como não beber antes de dirigir

Publicado em 24 de Maio de 2019 às 22:58

Públicado em 

24 mai 2019 às 22:58

Colunista

Teste de bafômetro: a cada dia, cinco pessoas são flagradas dirigindo embriagadas no Espírito Santo Crédito: Reprodução/Web

O trânsito é regido por leis, mas na prática, nas ruas, ele é feito de escolhas. E os números mostram que os brasileiros têm tomado péssimos caminhos, transformando as cidades em um campo de batalha, com um número de mortos que ultrapassa o de países em guerra, como a Síria. A cada vez que um motorista acelera acima da velocidade compatível com a via, que um motociclista avança o sinal vermelho, eles assumem o risco de matar ou morrer. Essas são as duas infrações mais comuns no Espírito Santo e com grande potencial de causar acidentes.

Após as campanhas Lei Seca, ninguém, habilitado ou não, pode afirmar que não sabe o perigo de dirigir após ingerir bebida alcoólica. Mesmo assim, a cada dia ao menos cinco pessoas são flagradas conduzindo um veículo embriagadas. Caso recente de que essa combinação pode ser trágica foi a morte de Kelvin Gonçalves dos Santos, 23 anos, e Brunielly Oliveira, 17. O casal foi atingido não por um, mas por dois carros na Terceira Ponte, na quarta-feira (22). Os motoristas estavam bêbados e praticavam um racha.

Kelvin e Brunielly engrossam uma triste estatística: as mortes no trânsito no país equivalem à queda de um Boeing 737 lotado, diariamente. E o mais cruel é que 90% delas poderiam ser evitadas, não fosse o desrespeito a regras. Há dois caminhos para evitar a má conduta de motoristas: fiscalização e educação.

É intrigante que, mesmo diante de números assustadores, essa primeira ferramenta, a fiscalização, esteja sendo reduzida, em vez de ampliada. Após suspender a instalação de oito mil radares nas rodovias federais, o presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta semana que pretende acabar com os pardais móveis, tachados por ele de “armadilha”. O chefe do Executivo, defensor de penas mais rígidas para criminosos, age na contramão com motoristas infratores, facilitando a vida de quem descumpre o Código de Trânsito ao exceder o limite de velocidade.

Em apenas um dia de 2018, foram aplicadas quase três mil multas por excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas nas rodovias federais que cortam o Estado. Mas, para muitos brasileiros, o grande número de penalidades não evidencia a falta de civilidade e a imprudência dos motoristas. Para eles, radares são apenas “fábricas de multas”. Essa visão expõe como o Brasil precisa urgentemente avançar na segunda ferramenta para reduzir acidentes: a educação. Acerta o governo do Estado na proposta de criar a Escola Pública do Trânsito, que inclui ações para crianças, nas salas de aula. Trânsito é escolha e, portanto, é ética. Menos acidentes dependem, em grande parte, de que os motoristas tenham discernimento entre o certo e o errado. Até que o país alcance esse nirvana, é bom que fiscalize e puna.

 

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