Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Editorial
  • Clima de linchamento da Lava Jato instaurado no país não é sensato
Opinião da Gazeta

Clima de linchamento da Lava Jato instaurado no país não é sensato

Força-tarefa é maior que Moro e Dallagnol. Desde 2014, já resultou em mais 280 condenações, em um trabalho que envolve centenas de agentes da lei, com desdobramentos em quase todos os Estados

Publicado em 08 de Julho de 2019 às 19:08

Públicado em 

08 jul 2019 às 19:08

Colunista

Procurador Deltan Dallagnol e o ministro Sergio Moro Crédito: Divulgação
Os vazamentos de supostas conversas entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da Operação Lava Jato acenderam um intenso debate a respeito da ética da magistratura e dos limites dos agentes da lei sob a égide do Estado democrático de Direito. As consequências jurídicas da celeuma ainda são incertas, e independem do ar de Fla-Flu que a discussão assumiu por conta dos vieses políticos que cercam o tema.
Caberá ao Supremo Tribunal Federal, em última instância – com o perdão do trocadilho – bater o martelo sobre as ações que já começam a chegar à Corte. Mas seja qual for o resultado, uma coisa é certa: o legado da Lava Jato seguirá intacto.
A força-tarefa já devolveu aos cofres públicos cerca de R$ 14 bilhões, valor impensável antes da operação, quando a maioria dos brasileiros não tinha qualquer esperança de que o destino de políticos poderosos e empresários endinheirados envolvidos em escândalos de corrupção seria atrás das grades.
Desde 2014, quando procuradores da República se juntaram às investigações já realizadas em Curitiba para analisar a papelada que envolvia doleiros como Alberto Youssef e Carlos Habib Chater e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, a operação já resultou em mais de 280 condenações, que somam mais de três mil anos de pena.
As mais de 60 fases da Lava Jato desbarataram uma teia de corrupção e impunidade que ligava políticos de todos os espectros no Brasil, com tentáculos no exterior – ao todo foram 14 ex-presidentes e presidentes da República denunciados, em 12 países. Pela magnitude desse trabalho, não é sensato o clima de linchamento da Lava Jato instaurado no país, na esteira dos vazamentos que mostram possíveis condutas impróprias de Sergio Moro.
O ex-juiz e atual ministro da Justiça sempre apareceu no imaginário coletivo – seja pela busca da população por um herói, seja pelo marketing do próprio magistrado – como o principal nome da Lava Jato. Mas a força-tarefa é maior que Moro, é maior que Deltan Dallagnol. Envolve centenas de agentes da lei no Paraná, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília, com desdobramentos em quase todos os Estados.
Possíveis condutas desviantes devem ser investigadas a fundo, porque agentes da lei não estão acima da lei. Mas a César o que é de César. As bases sobre as quais a Lava Jato foi construída são sólidas o suficiente para sobreviver a abalos.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Vacina da dengue do Butantan
Suspensão da vacina do Butantan não é munição para negacionistas
Escultura
O Código de Ética e as cortinas de fumaça
Seleção de 1982: a equipe que encantou o mundo
O jogo é jogado e o lambari é pescado

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados