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Opinião da Gazeta

Bandido que mudava de nome a cada crime escancara brechas da lei

O caso é emblemático, por mostrar que é fácil para qualquer um invadir um estabelecimento, roubar milhares de reais, ser flagrado pelas câmeras e mesmo assim voltar para as ruas. Basta inventar qualquer nome, a polícia aceita

Publicado em 29 de Março de 2019 às 12:29

Públicado em 

29 mar 2019 às 12:29

Colunista

Para livrar-se de prisão, bandido costumava mudar de identidade a cada nova detenção Crédito: Divulgação

Se o leitor já está cansado de se deparar de forma tão recorrente com a mesma notícia sobre criminosos reincidentes, imagine as vítimas. O proprietário de uma loja em Santa Lúcia, Vitória, é uma das mais recentes. Por conta do prende e solta, acabou sendo alvo do mesmo bandido que havia sido detido e liberado em menos de 24 horas, na semana passada, por outro arrombamento, então na Praia do Canto. Nesta ocorrência, registrada por câmeras de segurança do estabelecimento, o ladrão levou o equivalente a R$ 20 mil em mercadorias e mesmo assim foi liberado na audiência de custódia.

A reviravolta neste novo episódio de crime sem castigo foi a polícia ter enfim descoberto que o bandido costumava mudar de identidade a cada nova prisão. Na semana passada, ao ser encaminhado para a audiência de custódia que o mandaria de volta às ruas, identificou-se Roberto Nogueira da Silva. Na última terça-feira, ao ser preso em flagrante, a polícia conseguiu descobrir que seu nome verdadeiro é Valdemir Pereira Machado. Constatou-se que pelo menos outros três nomes já haviam sido usados.

Impressiona, portanto, que a polícia tenha sido tão condescendente ao realizar as detenções desse ladrão de múltiplas identidades. Primeiro, em acreditar na palavra de um prisioneiro sem os documentos, sem providenciar meios de realizar a identificação, com digitais. Fica evidente que existe uma falha. E quem percebe acaba conseguindo se aproveitar das brechas do sistema para escapar sucessivamente da cadeia.

É mais uma porta aberta para a impunidade, com a chancela dos sistemas policial e judicial, incapazes de comprovar a identidade daqueles que andam à margem da lei. Na semana passada, Waldemir conseguiu se safar por não ter sido preso em uma situação que configurasse o flagrante do crime, mesmo que as imagens da loja confirmassem a sua participação no roubo. Sabe-se que audiências de custódia são uma triagem importante para o sistema prisional, mas é preciso que haja mais rigor em casos como esse.

O caso é emblemático, por mostrar que é fácil para qualquer um invadir um estabelecimento, roubar milhares de reais, ser flagrado pelas câmeras e mesmo assim voltar para as ruas. Se perguntarem seu nome, basta inventar qualquer um, a polícia aceita.

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