A anistia aos policiais militares proposta por Renato Casagrande é perigosa. Abre portas para novos movimentos grevistas na corporação. Com esse afrouxamento oficial, a paralisação de fevereiro de 2017 e toda a desordem social decorrente dela correm risco de voltar a acontecer, o que é inaceitável. É a própria noção da disciplina militar que está em xeque.
O governador se atém ao curto prazo. O horizonte, contudo, é mais amplo, vai além dos quatro anos que tem pela frente. O perdão é além de tudo uma afronta à Constituição, que veda o direito de greve aos militares. Passar uma borracha nas responsabilidades de quem conduziu uma greve ilegal, que resultou em 219 mortes, é falhar por antecipação. Abre precedentes para que se volte a desrespeitar as regras, sem o temor às punições. Por ora, ainda se esperam respostas a esses crimes.
Passa a mensagem de que a insubordinação é um direito. Coloca, assim, a própria instituição em perigo. Anistia é um campo minado: eventualmente haverá consequências. E num prazo nem tão longo quanto se possa imaginar. A fatura dessa benevolência desmedida pode até demorar, mas acabará sendo paga.