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Reviravolta

Sócios da Viação Itapemirim voltam à gestão da empresa

Justiça de São Paulo devolveu a empresa para os sócios Camila Valdivia e Sidnei Piva, que já fizeram comunicado aos funcionários

Publicado em 03 de Agosto de 2018 às 00:32

Redação de A Gazeta

Publicado em 

03 ago 2018 às 00:32
Ônibus da viação Itapemirim: grupo tem um passivo tributário de R$ 1 bilhão Crédito: Bernardo Coutinho
Em mais uma reviravolta da novela que envolve a recuperação judicial da Viação Itapemirim, a Justiça de São Paulo devolveu aos atuais sócios da empresa, Camila Valdivia e Sidnei Piva, a gestão da companhia. Em dezembro de 2017, eles haviam sido afastados após uma decisão da Justiça capixaba que atendeu o fundador da empresa, Camilo Cola. Na época, a decisão foi fundamentada em indícios de irregularidades.
A determinação de dezembro, dada pelo juiz do Estado Leonardo Mannarino Teixeira Lopes, foi revertida na Justiça paulista na semana passada. O próprio Lopes havia reconhecido, em maio, incompetência do juízo capixaba para julgar o caso. Por isso, o processo acabou em São Paulo.
De volta à diretoria do grupo, Camila e Sidnei enviaram esta semana um comunicado aos funcionários avisando sobre o retorno.
Quem ficou na gestão da empresa entre dezembro de 2017 e julho deste ano foi o administrador judicial do caso, João Manuel Saraiva. Nos últimos dias do ano de 2017, o administrador enfrentou protestos de trabalhadores por atrasos no pagamento de salários.
João Manuel também foi destituído com a decisão do juiz da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, João de Oliveira Rodrigues Filho. De acordo com ele, como o administrador não está cadastrado para atuar perante o Judiciário paulista, foi necessário nomear um novo profissional para a função, que a é de fiscalizar a gestão da empresa. Procurado pela reportagem, Saraiva informou o mesmo motivo.
O juiz ainda reconhece que há animosidade entre os sócios Camila e Sidnei e o administrador judicial João Manuel, acusado por eles de fraudes. “Com a assunção da gestão do grupo pelo administrador judicial, os requerentes (Sidnei e Camila) narram uma série de eventos nos quais estariam caracterizados atos de má gestão dele, o qual estaria se aproveitando da inércia na remessa dos autos para São Paulo para praticar atos de desvio de patrimônio, endividamento desnecessário”, afirma.
A administradora judicial escolhida é a empresa Exame Auditores Independentes, representada por Eduardo Scarpellini.
RECONDUÇÃO
Rodrigues Filho destaca que “até melhor apuração de todas as circunstâncias do feito e, levando-se em consideração não existirem provas cabais de má gestão dos controladores do grupo, não há espaço para nomeação de gestão por terceiro, até mesmo pelo fato dos controladores já conhecerem todos os elementos e estruturas negociais do grupo por eles adquirido”, ressaltou, determinando a recondução dos sócios à gestão das atividades da empresa.
A Viação Itapemirim entrou em recuperação judicial em março de 2016, junto com outras empresas que pertenciam à família Cola, alegando ter R$ 336,49 milhões em dívidas trabalhistas e com fornecedores, além de passivo tributário de cerca de R$ 1 bilhão.
Sete meses depois, a família vendeu as empresas para Camila Valdívia e Sidnei Piva, mas em abril de 2017, o patriarca Camilo Cola e seu filho, Camilo Cola Filho, afirmaram ter sofrido um “golpe”.
A reportagem procurou ontem o advogado dos sócios da Itapemirim, Elias Mubarak. Ele atendeu a ligação, disse que estava entrando em um voo e pediu para retornar mais tarde. Até o fechamento da edição, seu telefone estava desligado.
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