Os sucessivos planos econômicos fracassados anteriores ao Plano Real deixaram seus custos. Além de prolongarem o problema da inflação, trouxeram uma incredulidade de que as coisas poderiam se normalizar. E para além das pessoas, esse pensamento também se deu entre alguns setores da classe política, como foi o caso no Espírito Santo à época.
O ano era 1995. Ao mesmo tempo que o “pai do Real”, Fernando Henrique Cardoso, chegava à Presidência, Vitor Buaiz assumia o governo do Estado. Integrante do PT, que fazia oposição ao Plano Real por acreditar ser um golpe eleitoreiro que não daria certo, o governador concedeu, em maio de 1995, um reajuste de 25% para os servidores estaduais que quase quebrou o Espírito Santo, segundo economistas.
A justificativa era de que se tratava de uma correção das perdas inflacionárias do primeiro ano de Real. Mas como a inflação ficou controlada, o aumento ficou insustentável, lembra o economista José Teófilo Oliveira.
“Os economistas do PT achavam que o controle da inflação não seria duradouro e que o plano iria fracassar. Orientado por esses economistas o governo alegou a necessidade de dar esse reajuste que trouxe um profundo desequilíbrio das contas públicas que durou quase uma década para ser superado. Por mais meritório que fosse [o reajuste], o problema foi que não havia como pagar”, diz o especialista, que foi secretário estadual da Fazenda em 1987 e 1990 e de 2003 a 2008.
Sem a inflação alta, a arrecadação caiu e não havia dinheiro para pagar o funcionalismo. Com isso, vieram os atrasos nos pagamentos, greves e até o prejuízo de ficar três meses sem receber, recorda o economista Orlando Caliman. “O reajuste naquele momento foi uma aposta errada por não acreditar no plano. Isso fez o Estado passar por uma penúria se falta de dinheiro para pagar servidor e também para investir”.
Servidor estadual na época, Haylson de Oliveira, ex-presidente do Sindipúblicos, lembra que as dificuldades já existiam antes, mas que se agravaram e demoraram para serem superadas. “Foi só em 2003 que desafogou o orçamento do Estado e pegou-se o que devia. Mas foi um período difícil. Não foi só reajuste ao meu ver, tinham várias políticas fiscais erradas. Ter superado tudo isso foi um alívio para os servidores”, afirma.