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Economia

Petrobras prevê venda de ativos mesmo em meio à pandemia

Estatal afirma que projetos de desinvestimentos permanecem intactos; principalgrupo de ativos são refinarias, afirmou o presidente Roberto Castello Branco

Publicado em 19 de Maio de 2020 às 15:35

Redação de A Gazeta

Publicado em 

19 mai 2020 às 15:35
Petrobras reduz preço da gasolina e diesel nas refinarias
A  queda na demanda foi acompanhada também de diminuição drástica nos preços. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil
Mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus, a Petrobras espera anunciar venda de ativos, principalmente refinarias, afirmou nesta terça-feira (19) o presidente Roberto Castello Branco, em live com o Banco Safra transmitida pelo Youtube.
Segundo o executivo, os projetos de desinvestimento permanecem intactos, apesar da recessão influenciada pela pandemia. Ele diz que deve ter boas notícias sobre o assunto em breve, sendo que o principal grupo de ativos são as refinarias.
"Até agora não ouvimos manifestação de desinteresse. Pediram para postergar a entrega de propostas para junho, e tudo permanece normal. A nossa expectativa continua sendo positiva, e estamos confiantes de que vamos conseguir assinar acordos de compra e venda até o final desse ano e concluir transações no próximo ano", disse Castello Branco.
O presidente afirmou que nada mudou no plano de desinvestimentos, apesar das dificuldades. Ele quer a dívida bruta da estatal em US$ 87 bilhões ao final do ano, mesmo patamar de 2019, o que no contexto atual, segundo ele, seria uma vitória. Na semana passada, a Petrobras anunciou prejuízo recorde de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre de 2020.
Em dezembro, Castello Branco já havia apontado o futuro da Petrobras em apresentação para investidores estrangeiros, com ativos apenas na região Sudeste e a possibilidade de investimentos em logística para atender Sudeste e Centro-Oeste, vendendo todas as operações em terra ou águas rasas em outros estados.
"A recessão influencia no atraso na execução de alguns projetos, mas até agora [o desinvestimento] permanece intacto", analisou o presidente da Petrobras.
Outro ponto abordado pelo executivo foi a redução drástica da demanda -a por gasolina caiu 60%, enquanto as vendas de querosene de aviação foram apenas 6% do habitual. Castello Branco prevê que, com o tempo, haverá uma recuperação da economia mundial, que será lenta, e consequentemente a recuperação da demanda por petróleo também vai ocorrer.
A queda na demanda foi acompanhada também de diminuição drástica nos preços. A Petrobras realizou pelo menos 11 cortes no preço da gasolina até o mês de abril, reflexo da queda das cotações internacionais do produto em meio às medidas de isolamento para enfrentar o novo coronavírus em vários países.
"Temos que nos preparar para viver com preços mais baixos do que estávamos imaginando até fevereiro de 2020", disse o executivo. "Nossa nova trajetória de preços esperada vai reagindo lentamente até se acomodar em US$ 50", acrescentou.
Em maio, após uma sequência de cortes, a Petrobras voltou a aumentar o preço da gasolina nas refinarias -foi o primeiro reajuste positivo desde o início da pandemia. Na semana passada, aumentou novamente o valor, em reajuste de 10%. O movimento acompanhou a escalada do dólar no Brasil e a elevação do preço da gasolina no mercado internacional.
Castello Branco também apontou que a empresa não elimina do painel de riscos a hipótese de mais de um surto de Covid-19 no Brasil e no mundo. Ele destaca que a nuvem de incertezas só vai desaparecer quando existir uma vacina.
"Estamos trabalhando de forma cautelosa. Nada impede que tenha uma nova onda da pandemia. A gripe espanhola teve três ondas, a primeira em 1918, a segunda em 1919, a mais mortal, e uma menor em 1920. Torço para que nada aconteça desse tipo, mas não vejo um céu azul brilhando nesses movimentos de curto prazo", disse o executivo.
Nesta segunda-feira (19), o Brasil registrou 674 novas mortes por Covid-19 e 13.140 novos casos, tornando-se o terceiro país com mais casos no mundo ao superar o Reino Unido -são 254.220 ao todo, contra 244.995 dos britânicos. O total de óbitos no Brasil é de 16.792. Outros 2.277 óbitos estão em investigação.
Também nesta segunda, o jornal Folha de S.Paulo mostrou que, depois das plataformas de petróleo, refinarias da Petrobras têm focos de contaminação pelo novo coronavírus, segundo sindicatos de trabalhadores da estatal. Eles denunciam surtos em unidades em Cubatão (SP), no Rio de Janeiro e em Manaus. A empresa diz que tem tomado uma série de medidas para proteger os seus empregados.

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