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Novos investimentos vão dobrar produção de petróleo e gás no ES

Novo programa do Ministério de Minas e Energia vai simplificar a regulação do setor, estimular a criação de empresas, incentivar startups a atuarem nesse campo. Proposta também visa à atração de investimentos estrangeiros

Publicado em 22/08/2019 às 13h34
Atualizado em 26/08/2019 às 00h59
Expectativa é que a produção de petróleo em terra firme dobre tanto em nível nacional quanto estadual. Crédito: Divulgação
Expectativa é que a produção de petróleo em terra firme dobre tanto em nível nacional quanto estadual. Crédito: Divulgação

Chegada de investimentos, aumento da geração de renda, empregos e dobrar produção de petróleo e gás onshore (em terra firme). É essa a expectativa para o Espírito Santo com o Programa de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural em Terra - Reate 2020, lançado pelo governo federal nesta quinta-feira (22). O principal objetivo do programa é aumentar a produção de petróleo e gás natural em 14 estados da federação.

O governo acredita que a produção onshore pode passar de 270 mil para 500 mil barris de petróleo por dia. No Estado o crescimento deve seguir o mesmo ritmo - saltando de 10 mil para 20 mil barris de petróleo por dia.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o crescimento deverá acontecer porque o governo vai simplificar a regulação do setor, estimular a criação de empresas de produção de petróleo, incentivar startups que vão atuar no setor e trazer investimentos estrangeiros.

Em seu discurso, Albuquerque, destacou a expectativa de aumento de investimentos nos próximos anos. "Estimamos que os investimentos, em exploração e produção de petróleo e gás terrestres, saiam do atual patamar de R$ 1,6 bilhão anual para uma média de R$ 4 bilhões, um crescimento de 150%", disse o ministro durante a cerimônia.

O gerente de Petróleo e Gás da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Durval Vieira, participou do lançamento do Reate 2020. "Durante a tarde nos reunimos em grupos para discutir as melhores formas de resolver os gargalos do setor. Debatemos questões sobre financiamento, ambientais, atração de parceiros, entre outros temas. Acredito que na próxima reunião, em setembro, já teremos um plano detalhado para ser seguido", comentou. Em 26 de outubro o workshop para debater os avanços no setor será realizado em Vitória.

LEILÃO

Durante o lançamento do Reate o ministro Albuquerque também confirmou a realização de leilão, em 10 de setembro, no qual serão oferecidas 263 áreas em terra, contemplando 249 blocos exploratórios em sete estados do Nordeste e no norte do Espírito Santo. Atualmente essas áreas pertencem à Petrobras, mas a empresa não investe na extração de petróleo e gás.

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), no Estado vão ser leiloadas duas áreas com acumulações marginais - áreas inativas onde não houve produção de petróleo ou gás natural, ou a produção foi interrompida por falta de interesse econômico. As áreas, denominadas SES-T4 e SES T-6, ficam nos municípios de Conceição da Barra, Jaguaré, Linhares e São Mateus.

"Esses campos estarão em licitação permanente. Isso quer dizer que a qualquer momento uma empresa pode fazer a oferta de compra. Se nenhuma outra se interessar, ou não der um lance maior, a primeira fica com o direito de exploração", explicou Durval. "Além desses dois que estarão no primeiro leilão, outros campos maduros também devem ser leiloados futuramente", acrescentou.

INVESTIMENTOS

O economista e sócio da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, Cláudio Frischtak, vê os leilões de campos maduros e áreas com acumulações marginais como uma boa saída para a atração de investimentos. "O foco da Petrobras é a exploração e produção em águas profundas e a produção é muito grande. Assim, os campos em terra ficaram em segundo plano. No entanto, para pequenos e médios produtores ainda é muito válido investir nesses locais e essa situação tende a aumentar bastante os investimentos em petróleo no Espírito Santo e nos outros Estados que também fazem parte desse leilão", avaliou.

Plataforma de petróleo. Crédito: Divulgação | Petrobras
Plataforma de petróleo. Crédito: Divulgação | Petrobras

Da mesma forma pensa o coordenador do curso de Engenharia de Petróleo na UVV, Fernando Fontes Barcelos. "Para nós do Espírito Santo isso tende a ser muito bom. Tem poço maduro que produz cerca de 100 barris de petróleo por dia. Para a Petrobras isso não é interessante, mas para um pequeno ou médio produtor, isso significa algo em torno de R$ 720 mil por mês. Se for investido em tecnologia, esse mesmo poço pode triplicar a produção e isso demanda mão de obra e tecnologia, gerando emprego e renda", avaliou.

 

O professor do curso de Engenharia de Petróleo da UCL, Kelvin Cristien de Oliveira Barbosa, destacou que no Brasil, atualmente, cerca de 90% do petróleo vem da exploração offshore (na água) e somente 10% vem da exploração onshore. "A tendência é que com o Reate essa diferença diminua", afirmou.

 

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