Mercado eleva projeção do PIB e da inflação para 2021, aponta Focus

No Focus divulgado nesta segunda-feira (18), a projeção para a produção industrial de 2021 passou de alta de 4,78% para avanço de 5,00%

Publicado em 18/01/2021 às 11h19
 Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,7% no terceiro trimestre de 2020 (em relação a igual período de 2019, o PIB caiu 3,9%)
A expectativa para a economia passou de alta 3,41% para avanço de 3,45%. Crédito: José Carlos Daves/Agência F8/Folhapress

Os economistas do mercado financeiro alteraram levemente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2021. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia passou de alta 3,41% para avanço de 3,45%. Há quatro semanas, a estimativa era de alta de 3,46%. Para 2022, o mercado financeiro manteve a previsão do Produto Interno Bruto (PIB), de alta de 2,50%, como já estava quatro semanas atrás.

No Focus divulgado nesta segunda-feira (18), a projeção para a produção industrial de 2021 passou de alta de 4,78% para avanço de 5,00%. Há um mês, estava em alta de 5,00%. No caso de 2022, a estimativa de crescimento da produção industrial passou de 2,45% para 2,40%, ante 2,43% de quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2021 seguiu em 64,95%. Há um mês, estava em 67,00%. Para 2022, a expectativa foi de 66,80% para 66,60%, ante 69,30% de um mês atrás.

DÉFICIT PRIMÁRIO

O Relatório de Mercado Focus trouxe hoje alteração na projeção para o resultado primário do governo em 2021. A relação entre o déficit primário e o PIB no ano passado passou de 3,00% para 2,80%. No caso de 2022, passou de 2,01% para 2,00%. Há um mês, os porcentuais estavam em 3,00% e 2,20%, respectivamente.

Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2021 foi de 7,00% para 6,92%, conforme as projeções dos economistas do mercado financeiro. Para 2022, passou de 6,25% para 6,30%%. Há quatro semanas, estas relações estavam em 7,00% e 6,50%, nesta ordem.

O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros.

Os avanços nas projeções nos últimos meses refletem a expectativa de que, com o aumento das despesas do governo durante a pandemia do novo coronavírus, o País terá um cenário fiscal ainda mais difícil.

BALANÇA COMERCIAL

Os economistas do mercado financeiro mantiveram a projeção para a balança comercial em 2021 na pesquisa Focus, de superávit comercial em US$ 55,00 bilhões. Um mês atrás, a previsão era de US$ 55,10 bilhões. Para 2022, a estimativa de superávit seguiu em US$ 50,00 bilhões. Há um mês, estava em US$ 48,45 bilhões.

No caso da conta corrente do balanço de pagamentos, a previsão contida no Focus para 2021 foi de déficit de US$ 16,00 bilhões para US$ 19,41 bilhões, ante US$ 17,40 bilhões de um mês antes. Para 2022, a projeção de rombo passou de US$ 29,05 bilhões para US$ 29,55 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 28,27 bilhões.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será suficiente para cobrir o resultado deficitário nestes anos. A mediana das previsões para o IDP em 2021 seguiu em US$ 60,00 bilhões, como mostrava há um mês. Para 2022, a expectativa permaneceu em US$ 70,00 bilhões, igual a um mês antes.

SELIC

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica da economia) no fim de 2021. O Relatório de Mercado Focus trouxe nesta segunda-feira que a mediana das previsões para a Selic neste ano permaneceu em 3,25% ao ano. Há um mês, estava em 3,00%. No caso de 2022, a projeção seguiu em 4,75%, ante 4,50% de um mês antes. Para 2023 e 2024, as estimativas seguiram em 6,00%, mesmo patamar de quatro semanas atrás.

Em dezembro, ao manter a Selic em 2,00% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central preparou o terreno para possível elevação dos juros em 2021. O motivo é que as projeções de inflação estão se aproximando das metas perseguidas pelo BC nos próximos anos. A avaliação é de que a instituição poderá acabar com o chamado "forward guidance" (ou prescrição futura, na tradução do inglês). O colegiado se reúne novamente nesta semana.

Adotado em agosto, o "forward guidance" é uma indicação técnica do BC de que não pretende elevar os juros se a inflação seguir sob controle e o risco fiscal não se alterar. O problema é que, nos últimos meses, a inflação ao consumidor está mais salgada, puxada por aumentos de preços em itens como alimentos e energia. Ao avaliar o cenário, o BC afirmou que "em breve, as condições para a manutenção do forward guidance podem não mais ser satisfeitas". Na prática, se retirar esta mensagem técnica de suas comunicações, o BC ficará mais livre para elevar os juros se achar necessário.

No grupo dos analistas que mais acertam as projeções de médio prazo no Focus (Top 5), a mediana da taxa básica em 2021 foi de 2,88% para 3,50% ao ano, ante 3,00% de um mês antes.

A projeção para o fim de 2022 no Top 5 passou de 4,00% para 5,00%. Há um mês, estava em 4,00%. No caso de 2023, passou de 4,75% para 5,00%, ante 4,75% de quatro semanas antes. Para 2024, a projeção passou de 4,50% para 5,75%, ante 5,50% de um mês atrás.

IPCA

Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - em 2021. O Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira (18), pelo Banco Central, mostra que a mediana para o IPCA deste ano foi de alta de 3,34% para 3,43%. Há um mês, estava em 3,37%.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2022, que seguiu em 3,50%. No caso de 2023, a expectativa permaneceu em 3,25%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,50% e 3,25%, nesta ordem. O Focus de hoje passou a incluir projeção para o IPCA de 2024, que é de 3,22%.

A projeção dos economistas para a inflação está abaixo do centro da meta de 2021, de 3,75%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%).

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2021 foi de 3,74% para 3,40%. Quatro semanas atrás, estava em 3,41%. No caso de 2022, a mediana do IPCA no Top 5 foi de 3,63% para 3,50%, ante 3,52% de um mês atrás. As projeção para 2023 e 2024 no Top 5 seguiram em 3,50%, igual a quatro semanas antes.

A inflação encerrou 2020 com um avanço de 4,52%, o maior resultado em quatro anos, acima do centro da meta perseguida pelo BC, de 4,0%, mas ainda dentro da margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

ÚLTIMOS 5 DIAS ÚTEIS

A projeção mediana para o IPCA de 2021 atualizada com base nos últimos cinco dias úteis foi de 3,35% para 3,47%, conforme o Relatório Focus divulgado pelo BC. Houve 99 respostas para esta projeção no período. Há um mês, o porcentual calculado estava em 3,35%.

No caso de 2022, a projeção do IPCA dos últimos cinco dias úteis permaneceu em 3,50%. Há um mês, já estava em 3,50%. A atualização no Focus foi feita por 91 instituições.

OUTROS MESES

Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA em janeiro, de alta de 0,23% para avanço de 0,27%. Um mês antes, o porcentual projetado indicava alta de 0,36%.

Para fevereiro, a projeção no Focus foi de alta de 0,38% para 0,45% e, para março, passou de alta de 0,28% para 0,29%. Há um mês, os porcentuais indicavam elevações de 0,38% e 0,25%, nesta ordem. No Focus agora divulgado, a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de alta de 3,39% para 3,43% de uma semana para outra - há um mês, estava em 3,87%.

CÂMBIO

O Relatório de Mercado Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira, 18, pelo Banco Central (BC), mostrou manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2021. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano seguiu em R$ 5,00, como já estava um mês atrás. Já para 2022, a projeção para o câmbio permaneceu em R$ 4,90, ante R$ 4,98 de quatro pesquisas atrás.

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