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Novo imposto

Maia: Daqui a pouco vão dar nome em inglês à CPMF para enrolar sociedade

Presidente da Câmara ironizou tentativa da equipe econômica de criar imposto sobre transações digitais, que seria uma nova versão da extinta contribuição

Publicado em 30 de Julho de 2020 às 14:21

Redação de A Gazeta

Publicado em 

30 jul 2020 às 14:21
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ironizou nesta quinta-feira (30) a tentativa da equipe econômica de recriar a CPMF e afirmou que daqui a pouco o governo daria um nome em inglês ao tributo para tentar "enrolar a sociedade".
Rodrigo Maia durante sessão na Câmara
Rodrigo Maia durante sessão na Câmara Crédito: Najara Araujo/Câmara dos Deputados
O deputado participou do seminário virtual Indústria em Debate, realizado pela Folha de S.Paulo em parceria com a CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Maia criticou as discussões envolvendo a recriação do imposto. "Minha crítica não é se é CPMF, se é microimposto digital, se é um nome inglês para o imposto para ficar bonito, para tentar enrolar a sociedade. Minha tese é a seguinte: nós vamos voltar à mesma equação que foi de 1996 a 2004, 9% de aumento da carga tributária", disse.
"Com um PIB [Produto Interno Bruto] de R$ 7 trilhões...R$ 600 bilhões, para quê? Para que a sociedade está contribuindo com mais R$ 600 bilhões para o estado brasileiro? Ela melhorou a qualidade da educação? Melhorou a qualidade da saúde?"
Nesta quinta, a Folha de S.Paulo mostrou que o Ministério da Economia estuda propor uma desoneração de até 25% da folha de pagamento das empresas para todas as faixas salariais. Para abrir mão dessa receita, no entanto, a equipe econômica avalia que será necessária a criação de um novo imposto, a ser aplicado sobre pagamentos.
No seminário, o presidente da Câmara disse ser radicalmente contra a criação de qualquer imposto. "Esse aí, então, que a gente sabe que é cumulativo, que é regressivo, que faz a economia parar de crescer, esse eu sou contra também no mérito", afirmou.
Maia afirmou ainda que, na sua avaliação, a nova CPMF não passaria na Câmara e que ele seria um dos que votariam contra a proposta. "Aqueles poucos que eu influencio, vou tentar influenciar para também votar contra", disse.
O seminário, mediado pelo diretor da Sucursal da Folha de S.Paulo em Brasília, Leandro Colon, também contou com a presença de Affonso Celso Pastore (economista e presidente do Centro de Debates de Políticas Públicas), José Ricardo Roriz Coelho (vice-presidente da Fiesp e presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico), Robson Braga (presidente da CNI) e do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), relator da reforma tributária.
O presidente da Câmara estimou que o Congresso teria 12 meses para aprovar a reforma tributária, porque, a partir do segundo semestre de 2021, as eleições presidenciais vão começar a afetar o andamento das propostas legislativas. "O que a gente quiser fazer de estruturante no Brasil, a gente precisa fazer em 12 meses", afirmou.
Na avaliação dele, o ideal seria que as mudanças no modelo tributário ocorressem ainda neste ano, e contemplassem também estados e municípios -atualmente, grandes capitais resistem a entrar na reforma.
"Se o Congresso conseguir incluir estados e municípios, ótimo. Porque se a gente também não resolver o ICMS [imposto estadual], a gente não vai estar resolvendo o principal problema que gera as distorções nos impostos de bens e serviços", defendeu.

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