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"Inaceitável"

Macron comemora, mas agricultor francês ataca acordo UE-Mercosul

Eles temem a chegada de carne proveniente do sistema intensivo de criação de gado, diferente do de fazendas familiares do país

Publicado em 29 de Junho de 2019 às 14:31

Publicado em 

29 jun 2019 às 14:31
Macron comemora, mas agricultor francês ataca acordo UE-Mercosul Crédito: Reprodução/Web | Arquivo

Para o presidente da França, Emmanuel Macron, o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia estabelecido na sexta-feira (28) atendeu às expectativas do país. Os agricultes franceses, no entanto, anunciaram que o acerto foi inaceitável.

Eles temem a chegada de carne proveniente do sistema intensivo de criação de gado, diferente do de fazendas familiares do país. Para eles, as quase 99 mil toneladas de carne bovina que o Mercosul poderá exportar sem tarifa serão concorrerão com os 85 mil pastores de gado da França.

"Semanas depois das eleições europeias, é inaceitável a assinatura de um acordo UE-Mercosul que estabelece concorrência desleal aos agricultores europeus e uma farsa total aos consumidores", disse Christiane Lambert, chefe do sindicato dos agricultores da França, em rede social.

O sindicato francês de jovens agricultores também questionou a decisão. "Por que eles pedem para melhorar os termos de qualidade e respeito ao meio ambiente na França e na Europa se vão importar produtos contrários a esses esforços?"

A Federação Nacional dos Bovinos na França alertou que o ritmo de desaparecimento das fazendas de gado dobrou desde 2017. Foram, segundo a entidade, 1.500 desaparecidos nos últimos anos.

Para Macron, a França expressou preocupações com o risco de um surto nas exportações agrícolas sulamericanas para a Europa e acolheu disposições que limitam as exportações de açúcar e carne bovina do Mercosul.

"Eu considero que este acordo é bom, dado que as demandas que fizemos foram levadas em conta pelos negociadores", disse o presidente ao final de uma das cúpulas do G20, em Osaka. Ele havia ameaçado não assinar o acerto de livre-comércio com o Mercosul caso o Brasil desistisse do acordo climático de Paris.

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