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Consumidor reclama

Imposto de 27% faz etanol no ES ser um dos mais caros

ICMS cobrado no ES é de 27%, contra 12% de outros lugares

Publicado em 14 de Março de 2019 às 00:33

Giordany Bozzato

Publicado em 

14 mar 2019 às 00:33
Robson Ribeiro faz as contas e eventualmente abastece com álcool Crédito: Fernando Madeira
Os impostos cobrados na venda do etanol fazem com que o combustível comercializado nos postos do Espírito Santo esteja entre os mais caros do país. Na média das últimas quatro semanas, divulgada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os capixabas pagaram R$ 3,48 pelo litro do combustível, enquanto a média nacional foi de R$ 3,33.
Esse preço deixa o Estado com o 11º litro do combustível mais caro do Brasil. Acre, Rio Grande do Sul e Rondônia têm os maiores preços. Já o Estado do Mato Grosso registra o litro de etanol mais barato do Brasil – R$ 2,54.
Na média da última semana, assim como no acumulado de meses anteriores, o Espírito Santo também aparece como um dos locais mais caros para se abastecer com etanol. Segundo análise do Índice de Preços Ticket Log (IPTL), em 2018, por exemplo, o Estado registrou os preços mais altos da Região Sudeste na venda do combustível.
No Espírito Santo, o álcool mais caro é vendido em Colatina – R$ 3,70, em média. Já Cariacica vende o litro do combustível mais barato – R$ 3,39, em média, entre os dez municípios analisados pela ANP.
De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Espírito Santo (Sindipostos-ES), os principais motivos para a variação do preço do etanol são o local de produção e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado pelos Estados.
“Podemos destacar o local de produção e a variação do ICMS entre os Estados. Alguns Estados são grandes produtores, como São Paulo, por exemplo, e praticamente não há custo com frete, diferentemente de outros Estados. O ICMS também varia muito. Vai de 12% em São Paulo a 27%, como é o caso do Espírito Santo”, explicou o sindicato por meio de nota.
Ainda segundo o Sindipostos, outros fatores como a entressafra e safra da cana de açúcar, preço do etanol e do açúcar no mercado externo, variação do dólar, política das distribuidoras e concorrência local também influenciam no preço que chega ao consumidor final.
Para Nerzy Dalla Bernardina Junior, vice-presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos (Sindiquimicos-ES), o Espírito Santo saiu atrás de Estados como São Paulo e Minas Gerais, que reduziram a alíquota sobre o álcool e beneficiaram o consumo em toda a cadeia.
A respeito do ICMS, a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) informou que tem dialogado com o setor de produção de álcool sobre o assunto, mas não informou sobre projeto de redução do imposto.
Imposto de 27% faz etanol no ES ser um dos mais caros
CÁLCULO
O preço do etanol no Estado faz com que os motoristas tenham preferido abastecer com gasolina – que rende mais do que o etanol. De acordo com o IPTL, na média dos preços, a gasolina apresenta-se como o combustível mais vantajoso.
Para saber se vale a pena abastecer com álcool, basta dividir o preço do litro do etanol pelo valor do litro da gasolina. Quando o resultado for maior que 0,7, a vantagem é abastecer com a gasolina, já se o resultado for menor, o melhor é abastecer com etanol.
O técnico em Logística Robson Ribeiro, 51 anos, faz as contas na hora de abastecer. Ainda assim, eventualmente, ele abastece com etanol. “Sei que o álcool está mais caro, mas, por recomendação do mecânico, a cada cinco vezes que eu encho o tanque, em uma eu coloco álcool, para limpar o motor”, justifica.
 

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