Publicado em 13 de agosto de 2021 às 18:45
Pouco distante do zero a zero em boa parte da sessão, o Ibovespa esboçou reação à tarde sem conseguir levá-la muito adiante no fechamento desta sexta-feira, em leve alta de 0,41%, a 121.193,75 pontos, entre mínima de 120.044,65 e máxima de 121 275,30 pontos. Na semana, o índice da B3 acumulou perda de 1,32%, vindo de ganho de 0,83% na anterior. Assim, nesta primeira quinzena do mês, teve baixa de 0,50%, restringindo o avanço do ano a apenas 1,83%. O giro financeiro nesta sexta-feira foi de R$ 35,0 bilhões. >
Pela segunda sessão, o Ibovespa se manteve na faixa de 120 mil pontos, nos menores níveis desde meados de maio. A linha dos 120 mil pontos, que voltou a ser tocada no intradia nas últimas três sessões - e também em 3 de agosto, pela primeira vez desde maio - é um suporte importante para a orientação do índice no curto prazo: por enquanto, quando chega ao limite inferior desse nível, tem despertado interesse por compras, apontam analistas.>
"O mundo inteiro está uma festa e a gente está feliz porque sobrou uma cerveja quente", diz Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo, chamando atenção para o fato de que, mesmo dados domésticos favoráveis, como a leitura desta sexta sobre o IBC-Br, e resultados corporativos positivos ou não exatamente decepcionantes, como os de Natura (ON +3,51%) e Magazine Luiza (ON -3,34%), não têm sido o suficiente para vencer a "anemia" que tem prevalecido na B3, desconectada do humor externo mesmo com ações muito descontadas por aqui.>
"Não saímos do lugar nessas últimas duas semanas. As questões continuam as mesmas, não desenrolam, o que acaba se resumindo naquela expressão velha conhecida: Risco Brasil", acrescenta o gestor, ressalvando que, apesar dos ruídos políticos, econômicos e fiscais que contaminam o horizonte imediato, a perspectiva de médio e longo prazo é positiva. "Há descontos, as empresas têm apresentado bons números, mas, mesmo assim, estamos ficando para trás quando se considera o momento externo. Isso se reflete também nos IPOs, que não estão se saindo tão bem, quando acontecem, A gente vai perdendo tempo: todo mundo sabe que, a partir de março, não se falará em outra coisa que não seja eleição.">
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"A semana foi bem tensa para o Ibovespa a despeito do que aconteceu lá fora, onde os mercados foram bem, em queda que chegou a se aproximar aqui de 2% no período, muito motivada pelas idiossincrasias brasileiras. O foco no fiscal foi o principal, com tensão sobre a reconstrução de benefícios (sociais) e a reforma tributária: Brasília esteve em foco na semana e o mercado não digeriu bem", diz Pedro Lang, head de renda variável da Valor Investimentos, destacando também os bons resultados corporativos, em linha com o consenso ou acima do esperado. "E mesmo assim a Bolsa não conseguiu segurar", acrescenta.>
"Para a próxima semana, esperamos que o mercado tome algum grau de racionalidade, dê uma acalmada e volte a olhar para fundamento. O lado ruim é que esta semana, que foi tranquila lá fora, aqui dentro foi conturbada. Se por acaso lá fora vier a ser uma semana ruim, a gente tende a ter outra assim também, emendando duas (semanas negativas)", conclui Lang.>
Assim, apesar das recentes renovações de máximas históricas por Dow Jones e S&P 500 - enquanto na Europa, o DAX, de Frankfurt, superou nesta sexta pela primeira vez no intradia o patamar de 16 mil pontos -, a Bolsa brasileira tem encontrado dificuldade para se alinhar aos bons ventos de fora. Na semana, os ganhos nos principais mercados do velho continente ficaram em 1,34% (Londres), 1,37% (Frankfurt) e 1,16% (Paris), nos quais a dinâmica da recuperação econômica tem deixado em segundo plano as preocupações sobre os efeitos da variante delta na retomada. Em Wall Street, os ganhos desta semana ficaram entre 0,71% (S&P 500) e 0,87% (Dow Jones), enquanto o Nasdaq cedeu levemente (-0,09%) no período.>
"Na Europa, vale um destaque: confirmou-se o 10º pregão consecutivo de alta, a maior sequência de ganhos desde 1999", diz Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora. Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, observa que a economia europeia deve chegar ao pico do atual ciclo de recuperação neste terceiro trimestre, o que tem se refletido nos índices acionários de lá. Nesta sexta, a referência Stoxx 600, índice que reúne 600 empresas listadas em bolsas de todo o continente, avançou 0,21%, a 475,83 pontos.>
Por sua vez, o Ibovespa não mostrou apetite após ter se inclinado na quinta-feira a uma correção pouco superior a 1%, contido então por resultados trimestrais que frustraram expectativas, como os de Ultrapar (nesta sexta +2,50%) e B3 (+5,40%). "Essa pressão negativa, micro, combinada a fatores macro, como o cenário fiscal, político e de reformas, pesou na nossa Bolsa", acrescenta Pietra, ressalvando que "apesar de resultados interpretados de forma negativa, no geral as empresas continuam entregando lucros maiores do que o esperado".>
Na ponta negativa do Ibovespa, Lojas Americanas fechou nesta sexta-feira em baixa de 9,13%, à frente de Americanas ON (-7,88%) e Via Varejo (-6,38%). No lado oposto, CPFL (+8,28%), Embraer (+7,28%) e Hering (+5,40%). Entre as blue chips, destaque para alta de Petrobras (ON +1,56%, PN +0,86%) e na maioria dos grandes bancos, à exceção de BB ON (-0,81%). Vale ON fechou em baixa de 0,82%, em dia negativo também para a siderurgia, em especial CSN (ON -2,32%) e Usiminas (PNA -2,62%).>
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