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Brasília

Guedes diz que 'cabeça pode até rolar' no Coaf

Guedes vem sendo pressionado pelo Palácio do Planalto, com anuência de Jair Bolsonaro, a demitir o presidente do Coaf, Roberto Leonel, aliado de Sergio Moro, ministro da Justiça

Publicado em 08 de Agosto de 2019 às 00:48

Publicado em 

08 ago 2019 às 00:48
O ministro Paulo Guedes Crédito: Gustavo Raniere/ASCOM/Ministério da Economia | Arquivo

Após sofrer pressão do Palácio do Planalto para trocar o comando do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira (7) que "cabeça pode até rolar", mas que buscará solução institucional para o órgão.

"Toda vez que tem qualquer aparente conflito institucional, uma crise institucional, a solução é um avanço institucional, não é só uma cabeça rolar. Uma cabeça rolar pode até acontecer, desde que haja avanço institucional", afirmou.

No sábado (3), a Folha de S.Paulo mostrou que Guedes vem sendo pressionado pelo Palácio do Planalto, com anuência de Jair Bolsonaro, a demitir o presidente do Coaf, Roberto Leonel, aliado de Sergio Moro, ministro da Justiça.

Segundo auxiliares, o presidente está incomodado com o comportamento do comando do Coaf em relação à decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, de suspender investigações criminais pelo país que usem dados detalhados de órgãos de controle -como Coaf, Receita Federal e Banco Central- sem autorização judicial.

Toffoli atendeu a um pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente, alvo de investigação realizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

Em manifestação enviada à Folha de S.Paulo na semana passada, e publicada na quarta-feira (31), o Coaf criticou a decisão de Toffoli sobre o uso de seu material em investigações. O órgão afirma que a medida prejudica o combate à lavagem de dinheiro.

Sem detalhar como seria a solução institucional para o Coaf, Guedes disse que pode ser um ajuste de estrutura. Ele afirmou que está dialogando com outros poderes e espera ter uma solução para o caso até a próxima semana.

Nesta quarta, Leonel foi recebido por Guedes e secretários do Ministério da Economia para reunião que se alongou por mais de três horas.

De acordo com o ministro, em entrevista após o encontro, ajustes serão feitos para que não haja suspeita sobre o trabalho do Coaf.

"Os monitoramentos continuam. Coaf é monitoramento, não é investigação", disse.

"Não pode haver excessos que joguem suspeitas sobre pessoas que não estão sendo investigadas, que não são suspeitas de nada. Há dúvidas de que um poder quer interferir em outro poder", completou, ressaltando que não pode existir interferência política sobre o órgão.

Considerado um dos principais aliados de Moro, Leonel foi chefe da inteligência da Receita Federal em Curitiba por 22 anos e integrou a força-tarefa da Lava Jato.

Para Guedes, o histórico de Leonel na Receita e na Lava Jato pode ter gerado dúvidas e questionamentos. Ele ponderou que tem confiança na escolha de Moro.

"Eu tenho certeza que o ministro Moro em nenhum momento estava usando o Coaf para investigar. O ministro Moro é parte da solução", disse.

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