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Mortes no mar

Gás sulfídrico pode ter intoxicado trabalhadores de navio, diz médica

Gás é decorrente de decomposição de matéria orgânica

Publicado em 19 de Julho de 2019 às 11:08

Publicado em 

19 jul 2019 às 11:08
Navio onde dois morreram ficará atracado por três dias no ES Crédito: José Carlos Schaeffer | CBN Vitória
Os quatro tripulantes que passaram mal (sendo que dois acabaram morrendo) podem ter inalado gás sulfídrico decorrente de decomposição de matéria orgânica no porão do navio mercante AP Dubrava, na última quarta-feira (17). A informação é da médica pneumologista Kristiane Rocha Moreira Soneghet, do Hospital Meridional, em Vila Velha, para onde duas vítimas foram encaminhadas.
Os trabalhadores faziam limpeza de redes de tubulação, atividade conhecida como flushing. O registro da atividade realizada pelos tripulantes no momento do acidente foi divulgada nesta quinta-feira pela Atlantska Plovidba, empresa dona da embarcação, em comunicado ao mercado financeiro.
De acordo com o texto, tudo aconteceu na rota entre Argentina e um território espanhol situado próximo à África. A empresa, que atua no transporte marítimo de graneis sólidos, publicou dois fatos relevantes na Bolsa de Valores croata. O primeiro ocorreu às 4h48, e o segundo às 9h, ambos horários de Brasília.
Neles, explica que quatro tripulantes passaram mal no porão do navio enquanto realizavam a limpeza da tubulação. A reportagem entrou em contato com a Orion Rodos, empresa que auxiliou a Atlantska no Espírito Santo, que disse não ter mais detalhes sobre a operação que estava sendo realizada no momento do acidente.
Para o especialista marítimo portuário Luigi Goulart Viana, a limpeza de tubulação de um navio graneleiro durante a navegação é atípica. Manutenções como essas ocorrem, normalmente, em embarcações de combustível.
Segundo Viana, esse tipo de navio é bastante similar às embarcações que atracam nos portos brasileiros, inclusive em Vitória. “Essa atividade é mais convencional em navios como os que armazenam petróleo. Seria preciso investigar melhor para entender a situação, porque, normalmente, nas condições do navio AP Dubrava esse tipo de manutenção parece não fazer sentido”, explicou.
O especialista ainda afirmou que outra possibilidade para o acidente seria a liberação de gases tóxicos numa área em que o percentual de oxigênio não está sendo controlado. “Nesses casos, quando a tribulação vai fazer um trabalho dentro de tanques, por falta de ventilação adequada, a baixa quantidade de oxigênio faz com que as pessoas desfaleçam e, sem o socorro, venham a óbito”, comentou Viana.
O NAVIO
O navio DP Dubrava foi construído em 2015, segundo o site Marine Traffic. Ele tem 180 metros de comprimento por 32 metros de largura. Por volta das 7 horas da manhã de ontem, o mercante fez uma manobra em direção ao Porto de Vitória para se aproximar da costa.
Ele ancorou a cerca de 10 km de Vitória para que as vítimas fossem resgatadas de helicóptero. Na parte da tarde, o navio entrou na Baía de Vitória. Ele atracou no Estado às 17h45 para ser periciada e os corpos serem retirados. A embarcação vai ficar por três dias no berço 101 do Cais Comercial de Vitória.
OUTRO ACIDENTE
Em dezembro do ano passado três trabalhadores morreram após um acidente no porão de um navio atracado em Portocel, em Aracruz. Segundo a investigação, o fato ocorreu devido a falha e negligência na medição do nível de oxigênio no navio Septiba Bay.
(Com informações de Vinícius Valfré, Iara Diniz e Siumara Gonçalves)
 

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