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Crise do coronavírus

FGV prevê queda do PIB de até 2% no Brasil em 2020

De acordo com o boletim, essa projeção contempla crescimento de 0,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior, seguido de contração de 3,3% no segundo trimestre.

Publicado em 25 de Março de 2020 às 13:54

Redação de A Gazeta

Publicado em 

25 mar 2020 às 13:54
SÃO PAULO - O Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da Fundação Getulio Vargas, reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira neste ano de um crescimento de 2% para uma retração de 0,9%. A retração tem relação com a atual crise provocada pelo coronavírus.
De acordo com o Boletim Macro da instituição, divulgado nesta quarta-feira (25), essa projeção contempla crescimento de 0,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior, seguido de contração de 3,3% no segundo trimestre.
O Ibre também traçou dois cenários alternativos. Um otimista, que aponta crescimento de 0,1% no ano (bem próximo ao da projeção do governo, de alta de 0,02%), e um pessimista, de contração de 2%.
O cenário otimista considera a hipótese de que o impacto do novo coronavírus ficará concentrado no segundo trimestre e que as medidas de contenção da doença surtirão efeito rapidamente. No cenário base, há impacto no segundo, terceiro e quarto trimestres. Já no cenário pessimista, os fortes efeitos negativos seriam sentidos até o final do ano.
"Vale ressaltar o alto grau de incerteza inerente a qualquer projeção feita neste momento. Os desdobramentos desse tipo de evento são totalmente imprevisíveis, sem precedentes na história capazes de servir como exemplo para balizar nossas estimativas", diz o instituto em seu boletim.
"Nosso cenário base pressupõe que a atividade econômica começará a se recuperar a partir do terceiro trimestre, mas em ritmo bastante gradual. A economia sofrerá quase certamente uma crise sem precedentes. Dificilmente o Brasil escapará de uma recessão potencialmente profunda este ano. O mundo também não."
De acordo com o boletim, é esperado que haja uma recuperação na segunda metade do ano, mas é pouco claro se ela será rápida ou diluída em horizonte mais largo. "O exemplo da China mostra que no meio urbano a normalidade econômica custará a voltar, mesmo depois de a epidemia estar sob algum controle."
Várias instituições revisaram nas últimas semanas suas projeções, trabalhando com possibilidade de retração de até 2%.
O Centro de Macroeconomia Aplicada da FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgou na semana passada cálculos que indicam a possibilidade de uma queda de até 4,4% em um cenário em que se somem os efeitos mundiais das crises financeira de 2008/2009 e da greve dos caminhoneiros no Brasil em 2017.

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