ASSINE

FGTS ficará mais rentável com distribuição de lucro

Governo vai dividir R$ 12 bilhões com trabalhadores ainda este mês

Publicado em 01/08/2019 às 22h40
Governo libera o saque do Fundo de Garantia (FGTS). Crédito: Fabio Rodrigues/Agência Brasil
Governo libera o saque do Fundo de Garantia (FGTS). Crédito: Fabio Rodrigues/Agência Brasil

A distribuição de 100% do lucro do FGTS para os trabalhadores com contas vinculadas deve aumentar a rentabilidade do fundo e deixá-lo até mais vantajoso do que a poupança, CDBs e até título do Tesouro.

Em 2018, o resultado do fundo foi de R$ 12,2 bilhões. Esse valor será dividido até o final deste mês integralmente entre os 296,6 milhões de cotistas que tinham saldo nas contas no fim do ano passado. No Espírito Santo, 1,9 milhão de trabalhadores têm algum saldo no FGTS.

Cálculos do ex-ministro do Planejamento Dyogo Oliveira mostram que a cada R$ 1 mil aplicados no FGTS poderão ser pagos R$ 32 ao cotista, valor 86% maior do que em 2018 (R$ 17,2). Esse aumento na quantia repassada aos correntistas fará com que a rentabilidade fique em 6,2%, estimam analistas do mercado financeiro.

Com o fundo rendendo mais do que alguns investimentos, o “saque-aniversário” – nova modalidade de resgate divulgada na semana passada pelo governo federal – pode não ser tão interessante.

Hoje, os beneficiários só resgatam os valores em casos de demissão sem justa causa, de doenças graves, durante a compra da casa própria e na aposentadoria. A partir do ano que vem, será possível retirar um percentual do saldo anualmente.

“Se as previsões se confirmarem, será realmente mais vantajoso manter o dinheiro no FGTS”, explica o economista Eduardo Araújo.

Um dos motivos é a redução da taxa básica de juros (Selic) de 6,5% para 6% ao ano, anunciada na última quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A queda afetará a rentabilidade da poupança, que passa a ser agora de 4,2% ao ano.

Outros investimentos, como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), também podem ficar menos lucrativos para o poupador. “Será importante avaliar se vale a pena ou não retirar o dinheiro. Talvez seja algo viável apenas para quem tem conhecimento no mercado financeiro”, acrescenta Araújo.

O diretor da Alphamar Investimentos e professor da Fucape, Fernando Galdi, afirma que é necessário saber ao certo a forma de distribuição dos resultados para avaliar qual será o sistema de saque mais recomendado: o anual ou só na demissão.

“A remuneração do FGTS era muito ruim. Desde o ano passado, o governo passou a distribuir 50% dos lucros. Agora haverá o pagamento integral, o que com certeza vai melhorar a rentabilidade. Não é possível dizer ainda se conseguirá ganhar de outros investimentos enquanto todos os critérios não forem divulgados”, opina.

Até o final do mês, o Conselho Curador do Fundo de Garantia deve divulgar as regras para repassar os lucros para os cotistas. “A pessoa com experiência no mercado de capitais e que queiram fazer investimentos próprios podem dar uma boa destinação. Pode aplicar em fundos multimercado se estiver disposta a correr certo risco”, destaca Fernando Galdi.

Distribuição dos resultados

Divisão integral

Os cotistas do Fundo de Garantia vão receber neste ano 100% dos resultados obtidos em 2018.

Rentabilidade

Previsão é de 6,2%

A rentabilidade do FGTS com a nova forma de distribuição dos lucros deve elevar a rentabilidade para 6,2% ao ano. Com isso, a cada R$ 1 mil de saldo, o trabalhador ganha R$ 32. Em 2018, foram pagos R$ 17 a cada R$ 1 mil.

Mudanças no sistema de saques

"Saque-aniversário”

A partir de 2020, o trabalhador poderá resgatar uma quantia do fundo. O saque ocorrerá a partir do mês de aniversário do cotista. Quem optar pela modalidade não terá acesso ao restante do saldo em caso de demissão sem justa causa.

Modelo é opcional

O trabalhador poderá escolher sacar o FGTS apenas na demissão sem justa causa. A escolha poderá ser feita a partir de outubro deste ano.

Cuidados

Avalie o cenário

É importante analisar o cenário antes de optar pelo resgate anual ou pelo saque apenas na demissão. Trabalhadores que correm risco de perderem seus empregos não devem escolher o “saque-aniversário”.

Investimentos

Como o Fundo de Garantia é uma espécie de poupança compulsória, o trabalhador que optar pelo resgate anual deve aplicar os recursos em algum tipo de investimento. É importante não fazer o resgate apenas para consumir, sem formar um colchão para o caso de uma futura demissão.

A Gazeta integra o

Saiba mais
economia

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.