Mesmo com a indefinição sobre a reforma da Previdência, o Espírito Santo tem atraído empresas interessadas em fazer novos negócios aqui ou expandir suas atividades.
Para o secretário de Estado de Desenvolvimento, Heber Resende, a economia capixaba segue avançando mesmo com a indefinição sobre a reforma da Previdência. “Toda semana, eu recebo pelo menos duas empresas que querem entender os benefícios fiscais que oferecemos. Pode ser que existam empresas que não vão investir enquanto a questão da reforma não estiver definida, mas percebo que não está tudo parado”, comenta.
Mesmo assim, Resende acredita na importância da reforma para o desenvolvimento da economia. “Hoje, temos um déficit na Previdência que sacrifica muito o Estado. A gente precisa universalizar a Previdência, mas sem deixar de se preocupar com o lado social”, avalia.
O secretário preferiu não comentar as estimativas de investimento feitas pelos empresários. “Eu nem concordo nem discordo. Eles ouvem o lado queixoso dos empresários, eu ouço os que querem investir”, explica.
Uma das empresas que não esperou a reforma para investir é a Buaiz Alimentos. Ainda no ano passado, ela iniciou o projeto de expansão. Agora, o projeto está na segunda fase.
“Desenvolvemos um projeto arrojado e que amplia nossa capacidade de moagem de trigo em 35%. Já investimentos R$ 60 milhões, além de outros recursos que estão sendo investidos nesta nova etapa, que inclui o novo sistema de recepção de grãos. Estamos otimistas e trabalhando para continuar investindo em processos mais modernos”, afirma Eduarda Buaiz, diretora da Buaiz Alimentos.
Mas nem todos pensam assim. A BlueVix Importação admite que investirá mais e criará outras 30 vagas de emprego a mais caso a reforma saia e a economia melhore.
No entanto, se o cenário não mudar, a empresa admite passar por reformulações. “Nossa empresa tem 26 anos e já somos experientes em trabalhar com cenários negativos. Vamos manter nossos projetos. Caso não haja um aquecimento do mercado, precisaremos estudar uma mudança de posicionamento, talvez migrando da distribuição direto para o varejo”, informou a empresa por meio de nota.
INVESTIMENTOS
Setores
Indústria
A estimativa é que R$ 10 bilhões possam ser investidos caso a reforma da Previdência seja aprovada.
A indústria da construção, por exemplo, estima que a produção suba de 11 mil unidades por ano para 15 mil unidades/ano.
Caso a reforma não passe, o investimento deve ser de apenas 30% a 40% do valor citado.
Comércio
Acredita-se que R$ 50 milhões possam ser investidos após a aprovação da reforma.
Somente o comércio representa mais de 65% do Produto Interno Bruto do Estado.
Aplicações esperadas
Locares
O plano é investir cerca de R$ 8 milhões para aumentar a produção – o que deve criar novas 30 vagas de emprego.
Buaiz Alimentos
R$ 60 milhões já foram investidos no projeto que amplia a capacidade de moagem de trigo. Os aportes financeiros vão continuar neste ano na nova etapa da obra.
Suzano
A empresa já anunciou a construção de uma fábrica de bio-óleo. O investimento previsto é de R$ 500 milhões e o investimento será feito em Aracruz, na própria sede da empresa.
Randon
A fábrica de reboques vai investir quase R$ 200 milhões na nova fábrica, em Linhares. Em operação, a fábrica vai gerar 40 empregos diretos.
Leroy Merlin
A megaloja, localizada no terreno do Aeroporto de Vitória, deve gerar 400 empregos durante a construção e depois de aberta. O investimento será de R$ 60 milhões.
Laticínios Porto Alegre
A empresa mineira vai construir uma fábrica em Rio Novo do Sul. O investimento previsto gira em torno de R$ 30 milhões.
BlueVix Importação
A expectativa é investir R$ 60 mil mensais para o desenvolvimento de soluções tecnológicas. No entanto, a empresa não descarta readequar a estratégia caso o mercado não se aqueça.