Publicado em 26 de agosto de 2021 às 15:09
O ministro Paulo Guedes (Economia) criticou a atuação do Senado nesta quinta-feira (26) ao comentar sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos precatórios. >
Na avaliação dele enquanto o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tem atuado "em altíssima velocidade, ajudando a aprovar as reformas, ajudando o Brasil a sair do buraco, do Senado está vindo bomba, possivelmente por mau assessoramento". >
Guedes comentava sobre um estudo realizado pela IFI (Instituição Fiscal Independente), ligada ao Senado, durante audiência da Comissão Temporária da Covid-19 na Casa. >
Documento publicado pela instituição, afirma que a proposta do governo para parcelar precatórios e criar um fundo com ativos da União representa uma burla ao teto de gastos e abre caminho para a criação de um Orçamento paralelo. >
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Ao rebater o relatório, Guedes afirmou que a instituição é "uma ferramenta de militância" e que, por isso, "o Senado está errando todas". >
"Se entrarem os precatórios, não há dinheiro para expandir as vacinas. Será que o jovem lá do IFI sabe disso? Ele prefere pagar o precatório e ficar sem a vacina? [...] Eu acho que os senadores, se estivessem bem assessorados, estariam bem informados disso", completou, refereindo-se a Felipe Salto, diretor-executivo do instituto. >
As falas do ministro foram questionadas pelo senador Izalci Lucas (PSDB-DF), que também participava da reunião. >
"O senhor foi injusto com o Senado, o Senado tem feito seu papel. A informação do IFI não tem impedido que o Senado vote matérias de interesse do governo", reclamou Izalci. >
Após ser repreendido pelo senador, Guedes pediu desculpas e disse que a fala era pontual, e não "sistêmica". >
"Eu me referi mais a esse período recente. Natural que com os esforços dirigidos para a CPI, está havendo um certo atraso na pauta de reformas", tentou explicar Guedes. >
Esta não é a primeira vez que o ministro faz pressão nos discursos e nas conversas com os parlamentares sobre os efeitos previstos para o Orçamento do próximo ano se o parcelamento das dívidas reconhecidas pela Justiça não for autorizado. >
Na semana passada, ele disse que não haverá recursos suficientes para pagar os salários de servidores caso a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para parcelar precatórios não seja aprovada pelo Congresso. >
A proposta encaminhada pelo governo aos parlamentares estabelece o parcelamento em dez anos de todos os precatórios com valor superior a R$ 66 milhões. Ela também cria uma regra temporária para parcelar débitos sempre que o valor desses passivos superar 2,6% da receita líquida. Para 2022, está previsto o parcelamento de todos os débitos judiciais com valor superior a R$ 455 mil. >
Com a medida, o governo espera abrir R$ 33,5 bilhões de espaço no Orçamento de 2022. A proposta viabiliza, por exemplo, que o Bolsa Família seja turbinado.>
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