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Investigação interna

Empresas demitem funcionários por fraude no plano de saúde

Grandes companhias como Itaú e CCR já fizeram cortes; planos já estudam medidas, como exigência da biometria facial do usuário
Agência FolhaPress

Publicado em 

03 jun 2023 às 15:06

Publicado em 03 de Junho de 2023 às 15:06

SÃO PAULO - O crescimento dos casos de fraude contra planos de saúde, especialmente por meio de pedidos irregulares de reembolso, tem levado grandes empresas a abrirem investigações internas para identificar e demitir funcionários que burlam as regras do benefício.
Nos últimos meses, a empresa de infraestrutura CCR demitiu mais de cem profissionais após uma investigação que apontou um custo adicional para a companhia acima de R$ 12 milhões em cinco anos pelo uso indevido do plano com práticas como a divisão do valor de reembolso por procedimentos não realizados, superfaturados ou desnecessários com clínicas de fachada.
Carteira de plano de saúde
Planos de saúde investem em esforços para tentar conter o avanço dos golpes Crédito: Arquivo/Agência Brasil
Situação semelhante aconteceu no Itaú, que demitiu 80 profissionais após detectar má conduta dos trabalhadores em pedidos de reembolso. Os dois casos repercutiram no mercado, estimulando outros empregadores a estudar as demissões como forma de combater as fraudes.
Segundo Raquel Reis, CEO da SulAmérica, a reação das empresas contratantes acontece no momento em que o próprio mercado de planos de saúde investe em esforços para tentar conter o avanço dos golpes.
Ela afirma, por exemplo, que a partir de julho o aplicativo da empresa vai passar a exigir biometria facial do usuário, na tentativa de impedir o uso irregular por terceiros.
No ano passado, a Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) lançou um manual de combate a fraudes, e a FenaSaúde (federação do setor) levou denúncia ao Ministério Público de São Paulo sobre esquemas envolvendo R$ 40 milhões em reembolsos fraudulentos.
"Estamos sendo muito vocais nesse tema. Tivemos um grande aumento de equipe. Fizemos contratação de pessoas e escritórios de advocacia para fazer sindicância e intensificar a quantidade de abertura de queixa-crime e processos judiciais", diz Reis.
Cassio Ide Alves, superintendente-médico da Abramge, afirma que o setor vem percebendo uma escalada das fraudes desde o início da pandemia, impulsionada por brechas favorecidas pela digitalização e propagandas de esquemas em redes sociais.
Segundo Alves, a empresa contratante acende o sinal de alerta quando descobre uma elevação fora do comum no custo previsto pelo cálculo atuarial. Com esse crescimento distorcido dos sinistros, a companhia pode pagar um valor extra, além do encarecimento do reajuste na renovação do contrato.
"A empresa tem meios de verificar os dados. A fraude costuma deixar rastros. Às vezes, aparece um pedido de reembolso para uma consulta que foi cadastrada no dia em que o funcionário estava viajando a trabalho"
Cassio Ide Alves  - Superintendente-médico da Associação Brasileira de Planos de Saúde
"A empresa tem meios de verificar os dados. A fraude costuma deixar rastros. Às vezes, aparece um pedido de reembolso para uma consulta que foi cadastrada no dia em que o funcionário estava viajando a trabalho", afirma Alves.
Vera Valente, diretora-executiva da FenaSaúde, diz que tem reuniões marcadas com representantes da indústria e profissionais responsáveis pelas áreas de recursos humanos de diversos setores para levar informações sobre o tema.
"O custo do que é feito irregularmente por um funcionário onera a empresa e pode gerar consequências como as demissões, que agora estão acontecendo, mas também pode levar o empregador a rever o benefício e reduzir a categoria do plano", diz Valente.
O advogado Luís Mendes, sócio do Pinheiro Neto e especialista em direito trabalhista, afirma que uma fraude cometida pelo profissional no plano provoca quebra de confiança, que é considerada falta grave.
"Caberá à empresa dosar, se vai aplicar uma pena pequena, uma advertência, uma suspensão ou uma rescisão do contrato por justa causa", diz.
Além da dispensa por justa causa, o funcionário pode ter de responder criminalmente pelo ato e devolver o dinheiro desviado, segundo Domingos Fortunato, sócio do Mattos Filho, também na área trabalhista.
Ele ressalva que a demissão por justa causa requer cuidados do empregador, com uma investigação estruturada que confirme e dê suporte à medida.

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