Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Economia
  • Donos de casas resistem a propostas milionárias de construtoras
Mercado imobiliário

Donos de casas resistem a propostas milionárias de construtoras

Imóveis em bairros nobres são cobiçados para darem lugar a grandes empreendimentos, mas antigos proprietários não cedem à pressão

Publicado em 20 de Janeiro de 2018 às 23:35

Geraldo Campos Jr

Publicado em 

20 jan 2018 às 23:35
Vitória
Beatriz Santos Neves com a foto de sua mãe, Beatriz, em frente à sua casa, na Praia do Canto Crédito: Ricardo medeiros
Quem passa pela avenida Saturnino de Brito, na Praia do Canto, em Vitória, certamente já se encantou com a beleza da casa da família da aposentada Beatriz Helena Santos Neves, de 72 anos. O imóvel de 65 anos chama a atenção não só de curiosos com seu belo jardim frontal, mas também de compradores e construtoras, de olho na área valorizada.
“Já fizeram algumas propostas de compra, principalmente para construir, mas minha mãe, falecida há três anos, dizia que não vendia de forma alguma. Mesmo hoje ainda não penso em vender porque estamos fazendo inventário. Antes disso, não dá nem para pensar em propostas”, comenta a dona do imóvel, que possui cerca de 13 cômodos.
A casa de Beatriz é uma das apontadas por corretores e consultores imobiliários do mercado capixaba como uma das mais desejadas para compra, principalmente visando à construção de edifícios, em função da localização, e que os proprietários resistem em vender.
“São casas históricas e que valem milhões, mas os donos se recusam a vender seja pelo apego, pela história, ou até mesmo por questões judiciais, como inventário e herança. Algumas aqui já receberam propostas entre R$ 6 milhões e R$ 10 milhões”, explicou o consultor imobiliário Francis Rocha.
No caso de Beatriz Helena, ela prefere não mencionar os valores das propostas recebidas, nem quanto vale a casa, mas conta que as últimas ofertas foram baixas. “Por causa da crise, o que eles ofereciam era menos do realmente vale. Se formos vender, será por um valor justo”, diz.
Ela conta que a casa foi construída pelos seus pais entre 1952 e 1953, quando ela tinha oito anos de idade, e que na época a avenida ainda não existia, nem mesmo a Ponte de Camburi.
“Isso aqui era uma pedreira. Não tinha a rua nem a ponte, tanto é que a gente atravessava o canal nadando para brincar em Camburi, que na época era um matagal. Havia umas cinco casas na região apenas. É um imóvel antigo que eu não considero luxuoso, mas, sim, confortável e feito para a família”, relembra.
Estratégicas
Os especialistas no mercado imobiliário explicam que imóveis como o de Beatriz são estratégicos para incorporadoras pela boa localização, em bairros nobres e com boa infraestrutura, que quase não contam mais com espaços para construção.
“É natural a atração por esses imóveis e as insistentes ofertas porque eles normalmente possuem grandes áreas, em lugares onde não há mais espaço fazer prédios. Em bairros assim, o metro quadrado é mais valorizado, o que proporcionaria um bom lucro com a venda de apartamentos”, afirma o consultor Juarez Gustavo Soares.
Mesmo em menor quantidade, também há quem faça ofertas visando morar nessas casas. “Existe o comprador que deseja para uso residencial, mas hoje é mais raro”, ressalta Juarez.
“Sem chance”
Ainda na avenida Saturnino Brito, poucos metros à frente da casa de Beatriz Helena, fica o imóvel da família da empresária Maria Helena Nacif Ribeiro, 72 anos. Ela conta que compradores interessados já apareceram, mas desistiram porque, segundo ela, não há chances de vender.
“Apareceram propostas, principalmente para incorporar, mas nunca tivemos a intenção de vender. Tanto é que nunca nem chegamos a negociar um valor. Não está a venda. Eu gosto daqui e não me vejo morando em apartamento”, reforça a proprietária.
Ela lembra que se mudou para a residência em 1972, quando os seus pais compraram a casa. De lá para cá, fez pequenas modificações, construindo piscinas, área de lazer, área de festas, sauna e jardim. “Aqui é o meu lugar, onde eu me sinto bem. É colonial e antigo, mas eu gosto disso”, afirma.
IMÓVEL FOI UM DOS PRIMEIROS DA PRAIA DA COSTA
A descendente de libaneses Cirene Bachour Dabbané, 88 anos, já nem se lembra mais o ano de construção da casa da família, na rua Gastão Roubach, em frente à Praia da Costa. “Tem mais de 60 anos pelo menos, isso eu tenho certeza”, conta recordando que na época de construção o bairro ainda era despovoado.
“Isso tudo aqui era mato quando meus pais vieram para construir. Não havia nada. Umas três casas no máximo. Tanto é que não tinha muros nem divisões, coisa que, de certa forma, a gente tem tentado manter até hoje”, comenta, mencionando a pequena cerca de aproximadamente um metro de altura ainda existe em frente à casa. “A ideia de fazer a cerca baixinha da forma que é hoje foi do meu falecido marido, para que a gente, da varanda de casa, tenha a vista para o mar. Também deixamos a mureta pequena dividindo o jardim com a casa do vizinho, que é de Minas Gerais. Se tivesse como, preferia totalmente sem cercas.”
A libanesa Cirene Bachour Debbané e sua casa na Praia da Costa Crédito: Ricardo Medeiros
Quando questionada se aparecem muitos curiosos e interessados em comprar o belo casarão à beira-mar, ela conta rindo: “Todo santo dia quase. Desde que meus filhos eram pequenos”. Cirene lembra, sem revelar valores, que até tiveram negociações com incorporadoras, mas que nunca foram para frente.
“O coração da gente nunca deixou vender. Mesmo sendo antiga e precisando de umas reformas, é a casa da gente, onde recebemos todo mundo, juntamos a família, confraternizamos. Faz parte de nós”, explica.
Mas ela não descarta por completo a possibilidade de um negócio. “Quem sabe um dia, se houve ofertas que merecem, se tivermos segurança, e se a família estiver confortável com isso. Descartado não está.”
A brecha que ela ainda abre, cogitando uma possível venda futura, é fruto do que os especialistas na área chamam de diminuição da resistência e do apego.
“Com a crise econômica, a troca das gerações nas famílias, e até mesmo a saída dos filhos de casa para fazerem sua vida, vem se quebrando aquele apego que era o motivo central da resistência em vender, hoje acredito ser mais fácil comprar residências como essas”, avalia o consultor imobiliário Francis Rocha.
Outro imóvel histórico que chama a atenção de compradores é a cinquentenária ‘casa rosa’, como é conhecida a residência da produtora de moda Ludmila Perim, 50 anos, na rua Moacir Avidos, na Praia do Canto, em Vitória. Mas ela não ‘amoleceu’ com o tempo e diz que não vende de jeito nenhum. “Não tinha negócio, não tem e não terá. É como uma filha”, conta.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Cantor Roberto Carlos comemora os 85 anos em show em Cachoeiro de Itapemirim
Roberto Carlos emociona fãs em show de aniversário em Cachoeiro de Itapemirim
Gilmara Dias é de Mimoso do Sul e tem 58 anos
Fãs colecionam histórias com Roberto Carlos e celebram reencontro em Cachoeiro
Cantor Roberto Carlos desembarcou no Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim para show na cidade e para homenagear o pai dele, que recebeu placa no terminal de passageiros
Roberto Carlos desembarca em Cachoeiro para show histórico: "Dá frio na barriga"

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados