Publicado em 19 de maio de 2021 às 18:16
O dólar subiu pela manhã, em meio ao ambiente mais adverso a risco nesta quarta-feira no mercado internacional com preços do bitcoin despencando, e chegou a zerar a alta no começo da tarde. A moeda, porém, voltou a ganhar força com a divulgação da ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Prevaleceu no documento a visão de que a aceleração da inflação nos Estados Unidos é um movimento "transitório", o que frustrou os participantes do mercado, preocupados com os números mais altos dos últimos índices de preços, sobretudo em abril. >
Ao mesmo tempo, houve a primeira menção na ata de "alguns dirigentes" sobre a intenção de começar nas próximas reuniões a discussão da redução das compras de ativos.>
Nesse ambiente, o dólar voltou a superar os R$ 5,30, enquanto as taxas de retorno dos juros longos americanos também foram para as máximas do dia e as moedas de emergentes perderam força, em meio a um movimento generalizado de fuga de ativos de risco. O noticiário político doméstico foi agitado e contribuiu para o clima de cautela.>
O real, que vinha tendo o melhor desempenho recente ante o dólar, nesta quarta-feira foi a moeda que mais perdeu força no mercado internacional, considerando uma cesta de 34 divisas mais líquidas. No fechamento, o dólar à vista terminou a quarta-feira em alta de 1,17%, a R$ 5,3158. No mercado futuro, o dólar para junho tinha ganho de 0,99% às 17h35, a R$ 5,3195.>
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A consultoria inglesa Oxford Economics prevê que o Fed vai oficialmente anunciar seus planos para reduzir as compras mensais de ativos em agosto, durante o simpósio anual de Jackson Hole, organizado pelo próprio BC americano e que tradicionalmente é aberto com discurso do presidente da instituição. O simpósio já foi usado no passado recente para anunciar mudanças da política monetária.>
A redução das compras deve começar no início de 2022, prevê a economista-chefe para os EUA da Oxford, Kathy Bostjancic, em relatório. Já a elevação dos juros deve começar no início de 2023. Estes dois movimentos devem ajudar a fortalecer o dólar e nesta quarta já foi possível ver o reflexo disso nas cotações.>
Com a influência do exterior prevalecendo nesta quarta no câmbio, os eventos domésticos foram apenas monitorados, mas reforçaram a visão de cautela com Brasília, incluindo o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, na CPI da Covid no Senado, e a operação da Polícia Federal contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, envolvendo denúncias de exportação de madeira.>
Como ressalta um gestor carioca, estes eventos não foram determinantes para os preço nesta quarta no câmbio, mas adicionam ingredientes para piorar o ambiente político em Brasília, com potencial de trazer volatilidade pela frente.>
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