Publicado em 25 de março de 2026 às 17:14
A busca por crescimento acelerado segue no centro da estratégia das startups , mas os dados mostram que velocidade sem estrutura continua sendo uma das principais causas de fracasso. Um levantamento da CB Insights (empresa global de inteligência de mercado especializada em startups e venture capital ) indica que 38% das startups encerram as atividades por falta de caixa, enquanto 42% falham por ausência de demanda real. Na prática, esses fatores se intensificam quando a empresa tenta escalar antes de validar seu modelo e organizar a operação. >
Marilucia Silva Pertile, cofundadora da Start Growth e mentora de startups , afirma que crescer não corrige fragilidades, apenas amplia seus efeitos. “Quando a base não está estruturada, o crescimento acelera o problema. O que era pontual passa a impactar toda a operação”, diz. >
O primeiro sinal negativo costuma aparecer no financeiro. Startups que aumentam investimento em aquisição sem domínio sobre indicadores como CAC (Custo de Aquisição de Clientes), margem e consumo de caixa, perdem previsibilidade rapidamente. A receita até pode avançar, mas a sustentabilidade do negócio se deteriora. “É comum ver o faturamento subindo enquanto o caixa encolhe. Sem controle, esse movimento não se sustenta”, afirma Marilucia Silva Pertile. >
Na área comercial , a expansão sem processo compromete a eficiência. Equipes maiores ou novos canais, sem padronização, tendem a reduzir conversão e aumentar churn . Em vez de ganho de escala, o resultado é perda de margem e dificuldade de construir receita recorrente. “Escalar exige repetir o que funciona. Quando não há processo, cada novo cliente aumenta a complexidade e reduz o retorno”, explica. >
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A operação sente o impacto na sequência. O aumento da demanda expõe limitações de entrega, tecnologia e atendimento. A queda de qualidade afeta a experiência do cliente e compromete a retenção, um dos principais motores de crescimento no longo prazo. >
Esse desalinhamento geralmente está ligado à falta de validação do modelo de negócio . Estimativas da Harvard Business School (escola de negócios da Universidade Harvard) apontam que apenas cerca de 10% das startups em estágio inicial atingem o Product-Market Fit antes de esgotarem seus recursos financeiros. >
Com a retração global do venture capital e maior seletividade dos fundos, o padrão de avaliação também mudou. Investidores passaram a priorizar empresas com eficiência operacional, previsibilidade financeira e clareza estratégica. “O capital continua disponível, mas exige disciplina. O investidor quer entender como a startup cresce e, principalmente, como se sustenta”, afirma Marilucia Silva Pertile. >
Na prática, isso desloca o foco do crescimento a qualquer custo para a construção de fundamentos. A escala deixa de ser ponto de partida e passa a ser consequência de um modelo validado, com unidade econômica saudável, processos replicáveis e capacidade operacional compatível com a demanda. >
Esse ajuste começa pela gestão interna. “A startup precisa dominar seus números, entender o funil de vendas e ter clareza de como transforma investimento em receita. Sem isso, crescer vira risco”, diz. >
Nesse contexto, cresce o papel de investidores e programas de aceleração com atuação operacional, que vão além do aporte financeiro. O suporte na estruturação de vendas, marketing e gestão tem se tornado decisivo para aumentar a taxa de sobrevivência das empresas. >
A expansão continua sendo essencial para consolidar startups . A diferença está na forma como ela é conduzida. “Velocidade ajuda a abrir mercado, mas é a consistência que sustenta o negócio. Crescer com base sólida permite avançar sem comprometer o futuro”, conclui Marilucia Silva Pertile. >
Por Eluan Carlos >
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