Pouco a pouco, o comércio capixaba está começando a deixar a crise para trás. O ritmo ainda não é o ideal, mas já é bem melhor que o da média nacional. Nos três primeiros meses deste ano, o segmento varejista no Espírito Santo acumulou uma alta de 7,9% no volume de vendas em relação ao mesmo período de 2018. O resultado supera, e muito, os índices do Brasil, em que o segmento cresceu apenas 0,3%.
Se considerado apenas o mês de março, as vendas do comércio no Estado tiveram alta de 1,6%, enquanto no país a variação foi de 0,3%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada ontem pelo IBGE.
Os números também são bons para o chamado comércio varejista ampliado (que inclui a venda de veículos e de materiais de construção). O segmento, que cresceu 2% em março no Espírito Santo, em 2019 já acumula elevação de 6,1%. Só as vendas de materiais de construção neste ano já subiram 19,2%.
A alta também foi sustentada pelo aumento das vendas de equipamentos para escritório e informática (60,7% no ano), de combustíveis e lubrificantes (11,4%) e vestuário e calçados (10%). A única atividade que teve retração foi de livros e objetos de papelaria (-40,7%).
NA FRENTE
A situação mais favorável para o setor no Estado, na avaliação do presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-ES), José Lino Sepulcri, se dá pela situação diferenciada em que o Espírito Santo se encontra em relação ao resto do país.
“O índice de desemprego no Estado não está tão elevado quanto o do país e há um bom otimismo, fora o fato de que o Espírito Santo é um dos poucos Estados que tem o privilégio de ter as contas públicas em dia, o que também permite aos funcionários receberem religiosamente em dia. Tudo isso ajuda muito e dá muita tranquilidade para o comércio”, comenta Sepulcri que também elenca o otimismo, tanto do empresariado quanto do consumidor, criado pelas mudanças na economia feitas pelo novo governo.
Esse desempenho do comércio aliás, apesar de não recuperar os anos de crise, já aponta para uma saída dela, o que ainda não se vê em setores como o de serviços e a indústria, que estão patinando. “O comércio não está adormecido, e sim mais ou menos aquecido. O resultado ainda é morno, pois esperávamos mais, mas perto dos demais setores é animador”, afirma o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Vitória, Estanislau Ventorim, que diz ainda que para uma recuperação efetiva ainda é necessário que “a nuvem de instabilidade sobre Brasília passe”.
DIA DAS MÃES
Se os números até aqui têm sido de crescimento, os comerciantes estão ainda mais otimistas para o que é considerado o segundo melhor período de vendas das lojas: o Dia das Mães, que é comemorado neste domingo.
A projeção da Fecomércio-ES é que haja cerca de 6% de aumento das vendas nesta temporada. “No ano passado já tivemos um pequeno crescimento. Para esse ano deve ser ainda melhor”, diz José Lino.
Em Vitória, lojas já tem notado maior movimento e estão fazendo promoções e sorteios para atrair a clientela, afirma Estanislau, da CDL. “Os maiores consumidores desta temporada são jovens, então as lojas estão trabalhando com novidades pensando nesse público”.