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Negócios

Carrefour negocia compra de ativos do Makro

Gigante francesa deve selecionar lojas e não deve adquirir toda a operação da empresa voltada para o atacado de uma só vez

Publicado em 07 de Fevereiro de 2020 às 13:56

Redação de A Gazeta

Publicado em 

07 fev 2020 às 13:56
Loja da Makro Atacadista, em Serra, encerrou as suas atividades Crédito: Fernando Madeira
A gigante francesa Carrefour está na fase final das negociações para a aquisição de ativos da rival Makro no País, apurou o jornal O Estado de São Paulo com duas fontes próximas às negociações. As conversas, que já duram cerca de seis meses, voltaram a esquentar nas últimas semanas. Há a expectativa de que o fechamento possa ocorrer já na semana que vem. O Carrefour deverá selecionar lojas, e não comprar toda a operação, diz uma fonte.
No Espírito Santo, as duas unidades do grupo Makro, uma na Serra e outra em Vila Velha, foram fechadas em 15 de janeiro. Na ocasião, a empresa alegou que vendeu a operação das lojas, mas não divulgou qual companhia estaria envolvida na negociação. O fechamento pegou funcionários e o sindicato dos trabalhadores de surpresa.
Ao colocar ativos do Makro para dentro de casa, o Carrefour vai reforçar a operação de seu atacarejo, o Atacadão - fruto de uma aquisição feita em 2007. Essa bandeira vem respondendo pela maior parte dos resultados do grupo francês no Brasil. O Makro, que pertence ao grupo holandês SHV, tem hoje 74 lojas no País, onde fatura R$ 7 bilhões por ano.
A operação brasileira ainda está nas mãos do grupo holandês, que foi fundado em 1964 e começou a operar por aqui no início dos anos 1970. O negócio brasileiro ficou nas mãos do SHV, apesar de a companhia ter vendido as lojas na Europa - onde estava concentrada a maior parte de sua operação - para o grupo alemão Metro há mais de 20 anos. A intenção dos holandeses de se desfazer da operação nacional seria, portanto, bastante antiga.
Para levar esse objetivo a cabo, desde 2018 o Makro vem "enfeitando" sua operação para garantir um valor mais atraente. A decisão foi tomada tanto pelo fato de a SHV já ter saído do negócio há tempos lá fora quanto pelo fato de a rede não ter fôlego suficiente para disputar o varejo de igual para igual com as gigantes de mercado.
Para atrair interessados, a rede fez um esforço de reforma de algumas lojas, além de abrir suas unidades, antes voltadas apenas a sócios, para o público em geral. Além disso, também fechou unidades deficitárias nos últimos tempos.
Depois de muito tempo fora da mídia, o Makro fez uma grande campanha no programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo. A companhia, que não aceitava cartões de crédito, fez parcerias com todas as bandeiras e passou a "convidar" o público pessoa física a comparecer a suas lojas. Ou seja: ficou cada vez mais parecida com rivais como o Atacadão e o Assaí, do Grupo Pão de Açúcar.
Segundo Pedro Fagundes, analista de varejo da XP Investimentos, o Makro é deficitário. Sob essa ótica, os múltiplos de uma transação não são atrativos. A estratégia adotada pelo Carrefour é que pode fazer a diferença. "Se o Carrefour converter as lojas em Atacadão, por exemplo, pode ser algo positivo", disse.

Nos resultados divulgados mais recentemente pelo Carrefour, as vendas líquidas do Brasil cresceram 8,1% no terceiro trimestre de 2019, na comparação com o mesmo período do ano anterior, alcançando R$ 13,8 bilhões. O lucro cresceu 21% entre outubro e dezembro, para R$ 430 milhões, mas o resultado ficou abaixo das expectativas de analistas.

Segundo a mais recente edição do ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), publicada em março do ano passado, o Carrefour é líder de mercado no País, tendo faturado R$ 56,3 bilhões em 2018, seguido de perto pelo Grupo Pão de Açúcar, com R$ 53,6 bilhões. Em seguida vem o Grupo Big, que assumiu a operação do Walmart no País.
Procurados, o Makro não respondeu, enquanto o Carrefour não comentou.

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