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Argentinos e franceses de olho na privatização do Aeroporto de Vitória

Operadoras da França e da Argentina, consideradas as maiores do mundo, mostram interesse no terminal do Espírito Santo

Publicado em 15/06/2018 às 21h57
Aeroporto de Vitória: concessão prevê aumento da estrutura do terminal. Crédito: Fernando Madeira
Aeroporto de Vitória: concessão prevê aumento da estrutura do terminal. Crédito: Fernando Madeira

Em processo de concessão à iniciativa privada, o Aeroporto de Vitória está na mira de investidores estrangeiros. Durante audiência pública realizada nesta sexta-feira (15) na Capital pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre a privatização, representantes de grandes administradoras aeroportuárias mundiais mostraram interesse pelo Bloco Sudeste, composto pelo terminal capixaba e o de Macaé (RJ).

Entre elas, as duas maiores operadoras do mundo em número de terminais: a argentina Inframerica e a francesa Vinci Airports. Ambas enviaram representantes a Vitória para apresentar questionamentos e sugestões técnicas na sessão.

A Inframerica, do grupo Corporacion America, administra 53 aeroportos em sete países, sendo 35 deles na Argentina e dois no Brasil: os de Brasília (em sociedade com a Infraero), e Natal (RN). Pelo mundo, o consórcio atende 77,6 milhões de passageiros por ano.

A advogada da operadora, Paula Damas, confirmou o interesse prévio. “Ainda não temos uma definição porque estamos fazendo estudos e as análises econômicas do projeto e da cidade, mas é uma proposta e um bloco que temos visto com bons olhos”, afirmou.

Já os representantes da Vinci, que recentemente assumiu a operação do terminal de Salvador (BA) e opera 36 aeroportos em sete países – sendo 12 na França, dez em Portugal e três no Japão – não quiseram comentar sobre o processo.

Segundo o diretor de Política Regulatória da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), Ronei Glanzmann, outras grandes companhias também demonstram interesse no Bloco do Sudeste – apelidado pelo governo do “bloco do petróleo”–, embora não tenham feito manifestação verbal na audiência.

“Temos conversado e feito conferências com pelo menos dez grandes operadoras internacionais para essa rodada de concessões. O Bloco Nordeste, pelo Aeroporto de Recife, acaba sendo o mais atrativo, mas logo na sequência aparece o do Sudeste, que também tem sido bem visto por algumas empresas não só pela oportunidade de crescimento da operação com a demanda do setor de óleo e gás, mas também pelas possibilidades comerciais”, comentou.

A Anac contabilizou pelo menos 100 participantes na sessão, entre eles representantes de empresas, do governo do Estado e funcionários da Infraero.

Após a fase de audiências públicas, a proposta segue para aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU) no terceiro trimestre. O leilão deve ser realizado em dezembro. Pelo Bloco Sudeste, a União estipulou a outorga mínima de R$ 622,8 milhões, com investimentos de R$ 644,1 milhões nos dois aeroportos ao longo dos 30 anos de concessão.

DISCUSSÃO

Logo ao iniciar a sessão, Glanzmann, em nome do governo federal, admitiu que houve falhas na comunicação com o governo do Estado sobre a proposta, e que equipes técnica e política locais e nacionais discutirão o modelo na próxima semana. “Faço esse mea culpa e vamos conversar para corrigir esse erro a tempo”.

Representantes do governo estadual, que questiona a proposta, pediram a suspensão temporária dos trâmites da concessão até que seja feito o debate. O pleito será analisado pelo Ministério dos Transportes.

PROTESTO

Funcionários da Infraero protestaram com camisas e cartazes contrários à concessão. Em alguns momentos da apresentação, eles contestaram com gritos de “é mentira” e “o aeroporto não precisa (de privatização)”. “Cria-se uma fantasia de que vai ser bom e criar empregos, mas vai reduzir vagas de trabalho e aumentar taxas”, disse o profissional aeroportuário Wanderley Galder.

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