Os primeiros três meses do governo do presidente Jair Bolsonaro foram marcados pela economia estagnada. O IBGE informou nesta quinta-feira (30) que o PIB contraiu 0,2% de janeiro a março, ante o 4º trimestre de 2018, confirmando o quadro de letargia que vem sendo descrito por economistas.
A pedido da editoria de Economia de A GAZETA, o economista Eduardo Araújo e o doutor em Contabilidade e professor da Fucape Fernando Galdi fizeram análises sobre o resultado do PIB. Veja abaixo:
Economia desaquecida
"Preocupa o fraco desempenho da economia brasileira. A queda de 0,2% na variação do PIB trimestral em relação ao período imediatamente anterior confirma o pessimismo das projeções econômicas do início de ano. Já há muitos especialistas que apostam em crescimento inferior a 1% em 2019.
As Contas Nacionais devem ser traduzidas como um “termômetro” para indicar o ritmo de aquecimento da economia. Os números publicados indicam que o crescimento vem sendo insuficiente para gerar oportunidade para quem está ingressando no mercado de trabalho, ou mesmo para quem está tentando recuperar uma vaga perdida.
Os efeitos são de agravamento no desemprego. A desocupação, que havia reduzido no final do ano passado, voltou a se elevar nos primeiros meses deste ano e já alcança 12,6%, patamar não muito diferente do topo da crise (quando atingiu 13,7%).
O risco para economia capixaba é que a desaceleração nacional coincide com quedas na indústria de extração mineral, que é tão importante por aqui. Sinal de que é preciso avançar na diversificação econômica, em negócios da área de turismo, infraestrutura portuária ou mesmo de startups."
País está em estagnação
A divulgação do dado referente ao crescimento do PIB no primeiro trimestre do ano demonstra que a economia brasileira está estagnada. Já é o segundo trimestre consecutivo que praticamente ficamos com crescimento zero, frustando as expectativas positivas que existiam no início do ano. Isto demonstra que quanto mais tempo demorar a sair a reforma da Previdência mais a economia vai sofrer, pois todos projetos de investimento estão engavetados esperando que fique clara a viabilidade fiscal (ou não) do Estado brasileiro. O governo, mais do que nunca, fica de mãos atadas enquanto não se decidir sobre a Previdência. Assim o ideia de liberação do FGTS também fica condicionada a aprovação da Previdência. Portanto, para que o Brasil volte a ter perspectiva de crescer este nó deve ser desatado.