Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 18:29
O mercado de tecnologia está em plena transformação e promete ser um dos setores mais aquecidos da economia global nos próximos cinco anos. Segundo orelatório “Future of Jobs 2025” , publicado pelo Fórum Econômico Mundial, serão criados 170 milhões de novos empregos globalmente até 2030, com destaque para profissões ligadas à inteligência artificial, segurança cibernética e análise de dados. >
O levantamento, realizado com mais de 1.000 empregadores que representam 14 milhões de trabalhadores em 22 setores e 55 economias, aponta que as mudanças no mercado de trabalho equivalerão a 22% dos empregos atuais até 2030. >
“Estamos vivendo uma revolução tecnológica sem precedentes. As empresas não buscam apenas profissionais que saibam programar, mas talentos capazes de pensar estrategicamente e resolver problemas complexos com o auxílio da tecnologia”, afirma Sylvestre Mergulhão, especialista em mercado de trabalho em tecnologia e CEO da Impulso, plataforma de conexão entre desenvolvedores e empresas. >
Dadosda Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) mostram que, em cinco anos, serão criados quase 800 mil novos postos. No entanto, o Brasil forma pouco mais de 53 mil profissionais de tecnologia por ano, o que deve gerar um déficit de cerca de 530 mil pessoas para atuar no setor. >
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“A boa notícia é que o mercado de tecnologia valoriza tanto a formação acadêmica quanto a capacitação prática. Certificações, programas de formação especializados e projetos em portfólio podem abrir portas tão importantes quanto um diploma tradicional”, ressalta Sylvestre Mergulhão. >
Entre as habilidades técnicas mais demandadas, estão o domínio de linguagens de programação como Python, R, JavaScript e SQL, além do conhecimento em ferramentas amplamente utilizadas no mercado, como TensorFlow, Power BI, Tableau e plataformas de computação em nuvem, como AWS, Azure e Google Cloud. Também ganham destaque a familiaridade com metodologias ágeis, como Scrum e DevOps, e conhecimentos em áreas como Big Data, Machine Learning e arquitetura de sistemas. >
“Hoje, qualquer pessoa com acesso à internet pode iniciar sua jornada em programação, análise de dados ou design de produtos digitais. Bootcamps intensivos, programas de capacitação estruturados e comunidades de tecnologia oferecem caminhos acelerados para quem quer fazer a transição de carreira. O desafio, no entanto, está em alcançar o nível sênior: chegar a esse patamar exige não apenas conhecimento técnico aprofundado, mas anos de experiência prática resolvendo problemas reais de negócio. O que falta, muitas vezes, não é acesso ao conhecimento, mas orientação sobre como e onde começar”, afirma Sylvestre Mergulhão. >
No entanto, as chamadas soft skills têm se tornado tão estratégicas quanto o conhecimento técnico. De acordo comrelatóriodo Fórum Econômico Mundial, competências como pensamento analítico e criativo, resiliência, capacidade de adaptação, liderança, colaboração e disposição para o aprendizado contínuo estão entre as mais valorizadas pelas empresas. >
Oestudoainda aponta que 65% dos trabalhadores consideram a requalificação essencial para se manterem competitivos, e 78% já participam de treinamentos oferecidos pelas próprias organizações, um indicativo claro de que atualização constante deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico no setor. >
Com base nosdadosdo Fórum Econômico Mundial e estudos de mercado, estas são as carreiras que devem liderar o crescimento no setor de tecnologia: >
Desenvolve algoritmos e sistemas capazes de aprender, analisar dados e tomar decisões de forma autônoma. Atua desde a criação de assistentes virtuais até soluções para indústria e medicina. A ampliação do acesso digital e os avanços em IA generativa tornam esse profissional essencial para a transformação digital das empresas. >
No nível sênior, é hoje uma das figuras mais disputadas e escassas do mercado: encontrar profissionais com experiência real em produção de modelos de IA é um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas globalmente. >
Protege dados e sistemas contra ataques cibernéticos, garante a conformidade com regulamentações e responde a incidentes de segurança. Apesquisada Hiscox (seguradora britânica) mostra que 34% dos executivos admitem que suas organizações não possuem preparo adequado para lidar com ciberataques, mesmo com 75% classificando a cibersegurança como “muito importante” para os negócios. Profissionais sêniores nessa área são extremamente raros: a combinação de visão estratégica, domínio técnico e experiência em resposta a incidentes reais faz desse perfil um dos mais difíceis de recrutar no mercado atual. >
Transforma grandes volumes de dados em insights estratégicos, desenvolvendo modelos estatísticos e preditivos para embasar decisões de negócios. Os cientistas de dados são fundamentais para empresas que buscam análise de informações. No entanto, cientistas de dados sêniores, capazes de traduzir análises complexas em decisões de negócio com impacto real, seguem sendo um perfil escasso e altamente disputado pelas organizações. >
Desenha e gerencia ambientes de computação em nuvem, otimizando segurança, escalabilidade e eficiência de custos. “A crescente migração para soluções em nuvem e ambientes híbridos multicloud torna esse profissional estratégico para a infraestrutura digital moderna”, explica Sylvestre Mergulhão. >
Arquitetos sêniores com histórico comprovado em migrações complexas e ambientes multicloud estão entre os perfis mais concorridos do setor, e os mais difíceis de reter. >
Coleta, organiza e analisa grandes volumes de dados para identificar padrões e tendências que orientem decisões estratégicas. Com o aumento da coleta de dados por dispositivos IoT, redes sociais e sensores, o papel desse especialista é vital para personalização e tomada de decisões baseada em evidências. >
A escassez se acentua no nível sênior, em que a demanda por profissionais capazes de arquitetar pipelines de dados robustos e extrair valor estratégico de grandes volumes de informação supera em muito a oferta disponível no mercado. >
Desenvolve e mantém sistemas e aplicações, utilizando metodologias ágeis e práticas de DevOps para entregas rápidas e seguras. A transformação digital acelerada exige profissionais que dominem não apenas programação, mas também metodologias que garantam agilidade na inovação. >
Engenheiros sêniores com sólida experiência em arquitetura de sistemas e liderança técnica de squads são disputadíssimos, e frequentemente contratados antes mesmo de estarem disponíveis no mercado. >
Projeta e implementa sistemas que conectam dispositivos físicos à internet, desenvolvendo soluções para automação residencial, cidades inteligentes e saúde. Esta profissão está em alta devido à integração total da IoT em ambientes residenciais, corporativos e industriais, fazendo com que a demanda por profissionais especializados em conectividade e análise de dados de dispositivos fique em ascensão. >
No nível sênior, a raridade é ainda mais acentuada: encontrar profissionais com domínio simultâneo de hardware, software e segurança em IoT representa um dos maiores gargalos de contratação para empresas que avançam na automação industrial e nas cidades inteligentes. >
Em um mercado cada vez mais dinâmico e competitivo, manter-se atualizado deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência. “A mentalidade de aprendizado contínuo é o que diferencia os especialistas. A tecnologia evolui em velocidade exponencial e é necessário que os profissionais acompanhem regularmente essa atualização”, alerta Sylvestre Mergulhão. >
OFórum Econômico Mundialreforça que 59% dos trabalhadores precisarão de requalificação ou aprimoramento de habilidades até 2030. Isso equivale a mais de 120 milhões de trabalhadores globalmente que correm risco de ficarem obsoletos sem a devida formação. >
“Quem investir agora em desenvolvimento de competências técnicas aliadas a habilidades humanas estará mais preparado para as transformações do mercado. O futuro do trabalho pertence àqueles que conseguem aliar tecnologia com pensamento crítico, criatividade e capacidade de resolver problemas complexos”, finaliza o CEO da Impulso. >
Por Letícia Carvalho >
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