Na sua coluna em A GAZETA, o jornalista Ângelo Passos deixou uma indagação no ar sobre as razões que estariam levando a economia capixaba a apresentar, principalmente nesses últimos três anos, um desempenho pior que a média nacional. Lembrando que historicamente, se pegarmos os últimos 45 anos, nossos números da economia sempre suplantaram os nacionais.
Se tomarmos um histórico mais longo do principal indicador de desempenho econômico, o PIB, vamos ver que somente em alguns curtos períodos, muitas vezes apenas em um ano, no máximo dois – 1986-87 -, a economia capixaba mostrou-se pior que a média nacional. Caso, por exemplo, de 2009, quando o PIB capixaba caiu 6,7%, contra uma pequena queda de 0,3% do PIB nacional. Isso por conta da crise externa. Se tomarmos a série de 1970 a 2016, enquanto o PIB capixaba cresceu, em média, aproximadamente 5% ao ano, a nível nacional a taxa média foi de 3,7% ao ano.
Se tomarmos um histórico mais longo do principal indicador de desempenho econômico, o PIB, vamos ver que somente em alguns curtos períodos, muitas vezes apenas em um ano, no máximo dois, a economia capixaba mostrou-se pior que a média nacional
Eu diria que a explicação simplificada tanto para o bom desempenho relativo quanto para os pequenos atropelos está na peculiaridade da nossa economia: a forte presença das commodities ou produtos semielaborados exportáveis na sua estrutura produtiva. Se tomarmos apenas o setor extrativo mineral – petróleo e minério de ferro -, este chegou a responder por aproximadamente 27% do PIB. Em nível nacional, este setor tem uma participação de algo em torno de 4%. Mesmo quando analisamos a indústria de transformação do Espírito Santo, vamos ver que boa parte dela está vinculada à produção de celulose, aço e mármore e granito.
Torna-se fácil inferir que qualquer perturbação no mercado externo tende a acarretar oscilações no valor da produção e PIB gerado por esses setores. Por que o setor industrial capixaba caiu 5,5% no primeiro semestre deste ano, enquanto no Brasil cresceu 2,3%? Vejamos os segmentos que apresentaram quedas no semestre: Extrativa mineral (de maior peso), 4,1% de queda; Mármore e Granito (-19,4%); Indústria de transformação como um todo(-6,8%) e Celulose (-10,4%). É importante esclarecer aqui que no caso da celulose não se trata de problema externo de demanda ou preço, mas simplesmente por questões operacionais da empresa.
O lado positivo das commodities, mesmo assim, está no fato destas apresentarem um comportamento interessante em relação ao nível de emprego e, de certa forma, também da massa de renda dele derivada. Essas duas variáveis não seguem na mesma proporção de variação. O que tende a destoar mais da média nacional é o setor industrial, pois este nos é bem peculiar.