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Entrevista exclusiva

Dono de supermercado em Guarapari conta como foi enganado na venda de lojas

O empresário Jorge Zouain, proprietário do Santo Antônio, detalhou como foi a negociação junto à empresa DX Group e contou à coluna quais são os seus planos após ter retomado a gestão da rede. Veja o vídeo.

Publicado em 03 de Dezembro de 2019 às 20:20

Públicado em 

03 dez 2019 às 20:20
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Depois de vender, em julho deste ano, sete lojas e um centro de distribuição da rede de supermercados Santo Antônio, em Guarapari e Anchieta, para a companhia DX Group Participações e Investimentos Eireli, o empresário Jorge Zouain, de 78 anos, vive um drama que jamais imaginou passar.  
A venda da empresa, que está há 54 anos no mercado, não aconteceu como o empresário imaginava, e diante de vários problemas que surgiram nos últimos quatro meses, entre eles o de desabastecimento de mercadorias -  conforme a coluna relatou em várias ocasiões - ele decidiu entrar na Justiça.
"Eu trabalhei 54 anos, comecei com uma mercearia pequena, e fui crescendo junto com Guarapari. Tudo com nome muito limpo, prestígio de crédito em todos os lugares, apoio da sociedade. E tudo isso ser destruído de repente assim?"
Jorge Zouain - Proprietário dos supermercados Santo Antônio
A rede capixaba alega que houve o descumprimento do contrato feito com o empresário Creso Suerdieck Dourado, entendimento que também teve a Justiça, ao dar na última quinta-feira (28), uma liminar suspendendo a negociação entre as partes. Desde esse dia,  Jorge Zouain conseguiu retomar a administração dos supermercados Santo Antônio, mas encontrou uma empresa dilapidada, nas suas próprias palavras. 
Na última sexta-feira (01), ele recebeu a coluna no escritório dos seus advogados e contou, em entrevista exclusiva, como aconteceu a negociação, qual a situação atual da empresa e quais são os seus planos para o futuro.  Confira a entrevista.
Jorge Zouain é proprietário da rede de supermercados Santo Antônio, em Guarapari Crédito: Carlos Alberto Silva

Como a empresa DX Group Participações e Investimentos Eireli, comandada pelo empresário Creso Suerdieck Dourado, chegou até o senhor e fez a proposta de compra dos supermercados Santo Antônio?

Foi por intermédio de um corretor, e aliás eu nem o conhecia, mas ele é daqui de Guarapari. Ele procurou meu sobrinho, que trabalha também na firma (o advogado Rafael Zouain), dizendo que queria marcar um encontro comigo. Foi marcado então, ele (Rafael) conversou primeiro com o corretor, depois marcamos uma data para atender o Creso e o pessoal dele. E assim foi a princípio, dali à negociação.

E foi pessoalmente que o Creso esteve com o senhor?

Pessoalmente.

As conversas duraram quanto tempo até o negócio se concretizar?

Isso foi muito rápido, sabe? Acho que uma semana ou quinze dias, isso foi um negócio que teria que ser mais demorado. Com eles foi muito rápido a coisa, sabe? Uns 15 dias mais ou menos.

Essa agilidade surpreendeu o senhor?

Surpreendeu. Nunca podia imaginar um negócio deste tamanho ser feito em tão pouco tempo.

Quando o Creso se apresentou, qual foi a imagem que ele transmitiu para o senhor?

A imagem era de um cara que tinha dinheiro, bastante dinheiro, que fazia esses negócios de compras. Ele comprava as empresas, preparava a empresa que estava em dificuldades financeiras, arrumava e depois vendia. Mas no meu caso não foi assim, né? Foi o que ele propôs, mas não foi assim que funcionou. Ele comprou a empresa, não fez nada de melhoria. Pelo contrário, ele tirou os estoques, zerou os estoques. Até que a gente entrou então com ação contra ele para recuperar a empresa.

Quando foi que as primeiras negociações aconteceram e como se deu esse processo de perceber que havia um desabastecimento?

As negociações começaram há uns três a quatro meses, não me lembro com precisão. Mais ou menos isso, quatro meses. Começou e em um prazo de 15 dias foi realizada a negociação.

O senhor já tinha vontade de vender o Santo Antônio. Foi a primeira vez que o senhor foi sondado?

Tive vontade porque eu tinha aberto um passivo muito grande na empresa. A rentabilidade não estava cobrindo os débitos. Então, resolvi vender. Mas tinha muita empresa interessada porque o Santo Antônio ele tem a fama, todo mundo quer, né? Pelo tempo em uma cidade como Guarapari, 54 anos, com o nome que tem. Felizmente, nós nunca tivemos um título protestado, nós nunca atrasamos um dia de pagamento de funcionário. Por isso, a gente tinha esse nome e essa fama. E eles naturalmente aproveitaram isso. Só que eles dilapidaram todo o patrimônio do Santo Antônio.

O que aconteceu nesse período desde que vocês deixaram a administração até o dia 28/11, quando foi a data da retomada da empresa?

As lojas foram esvaziando os estoques, foram ficando furadas. O estoque que eu tinha no centro de distribuição, lotado de mercadoria, foi saindo e não foi entrando nada. Você vai lá hoje e não tem uma mercadoria. A não ser que tenha chegado alguma, porque eu já comecei a comprar alguma coisa, mas com alguma dificuldade. Eles acabaram com o meu crédito. Então, vou ter uma grande dificuldade de dar continuidade a esse trabalho. Vamos lutar, eu espero ter o apoio, como estou tendo o apoio da sociedade de Guarapari. Acredito que meus funcionários estão empenhados em ajudar. Eu estou tendo muito apoio e, por isso, eu digo que pode ser que eu consiga dar continuidade e ter sucesso.

A decisão de vender é porque o senhor queria aposentar? O que o senhor esperava ao vender o supermercado?

Para te ser sincero, eu dizia: ‘Eu não consigo me ver fora do Santo Antônio’, realmente eu não conseguia. A minha vida, todo o dia, eu ali no trabalho, olhando loja, atendendo no escritório, então isso há 54 anos... Foi uma rotina de muitos anos. Eu estava naquele ritmo e de repente parar? Eu tenho minha fazenda perto aqui, mas meu negócio era o Santo Antônio, mas eu tinha necessidade de vender, eu estava precisando. Por isso, foi feito o negócio. Eles aproveitaram a oportunidade.

O senhor disse que o negócio estava difícil nos últimos anos em questão de retorno...

Eu tive algumas coisas falhas de advogado, falha de contador. Então, essas coisinhas que foram acontecendo, e como eu tive a uns 15 anos atrás mal de saúde, eu fiz uma cirurgia de ponte de safena e eu tive muito mal, perdi muito sangue, e dali para cá eu tive um pouquinho de desânimo. Não era mais o pique de quando eu comecei. Então, às vezes, foi a causa de acontecer mais problemas como aconteceram, prejuízos de todos os lados.

O senhor acabou se afastando um pouco do negócio e algumas questões de gestão acabaram se complicando?

Com o meu afastamento, com meus problemas, eu devo ter deixado de enxergar algumas coisas como eu deveria, como eu sempre fiz. A gente como administrador de empresas não pode deixar escapar nada. Tem que estar de olho em tudo, e se bobear um pouquinho, as coisas acontecem. Foi o que aconteceu comigo. Mas isso é coisa de longo tempo. Eu não sei nem dar detalhes demais disso aí porque foi acontecendo em pequenos detalhes e no final ficou um passivo muito alto, começaram os juros e ficou difícil de tocar.

Quando o senhor começou a perceber os sinais que foram aparecendo ao longo dos últimos meses, qual era a sensação do senhor?

Eu não fiquei acompanhando porque, pelo contrato, ficou definido o dr. Rafael (Zouain) para ser o intermediário da nossa conversa, ele que seria o meu contato. Eu não tive mais contato com eles, e nem entrar nas lojas eu não entrava. Porque para mim era meio triste e é até hoje, né? Hoje, mesmo tomando posse, eu chegar numa loja e ver vazia pra mim isso é a morte! Trabalhei tanto para a perfeição do trabalho e ver uma coisa dilapidada, destruída, não é fácil. Então, eu não entrava em loja, não tinha um acompanhamento meu. Era por intermédio do dr. Rafael, que me dava as informações e eu passava o que eu queria.
"Eu chegar numa loja e ver vazia pra mim isso é a morte! Trabalhei tanto para a perfeição do trabalho e ver uma coisa dilapidada, destruída, não é fácil"
Jorge Zouain - Proprietário dos supermercados Santo Antônio

Quando o senhor teve a real noção do que estava acontecendo?

Eu sou muito conhecido em Guarapari. Então, todo lugar que eu ia e encontrava as pessoas, elas reclamavam: "Jorginho não acha mais nada. O Santo Antônio tá ruim, o que tá acontecendo?" E assim foi, foi crescendo, começou a cobrança que eles não estavam pagando as empresas, começaram a ligar pra mim, me cobrando. Mas eu tinha vendido as cotas todas, não eram minhas mais as dívidas. Isso foi me preocupando, preocupando, até que nós identificamos um rompimento no contrato. Isso deu a oportunidade do advogado entrar com ação para poder retomar a posse da empresa. Teve uma liminar, porque o juiz viu a história e deve ter entendido muito bem que eu era a vítima no negócio. Então, deu a liminar e nós assumimos.

O senhor se sente vítima dessa situação? Acredita que foi enganado pela empresa do Creso?

Fui. Sem dúvida. Ele não cumpriu nada do que foi prometido. Eu como tenho um amor muito grande ao Santo Antônio. Ele ainda dizia: “Em 90 dias eu vou melhorar essas lojas e vão ficar lindas”. Mesmo não sendo mais meu, eu queria ver as minhas lojas lindas e não dilapidadas, feias do jeito que estão.

Além da promessa de reforma das lojas, o que mais ele falou que melhoraria?

Ele (Creso) disse que iria crescer e que o princípio seria o Santo Antônio, mas que ele queria crescer muito no Espírito Santo. Ele queria investir muito. E foi cheio de coisas assim que animou. Mas eu sempre fiquei preocupado. Porque as coisas estavam muito fáceis demais. Detalhes eu não sei te explicar, mas eu achava estranho. Eu tinha um escritório de advocacia. Eles trabalhavam pra mim já há 20 anos, então, a negociação e os contratos todos foram feitos por esse escritório, e eu confiando. Só que eles deixaram falhas, e aí ficou mais difícil. Eu só consegui (a liminar) porque felizmente a empresa do Creso abriu uma brecha e eu arranjei um advogado competente, o dr. Claúdio (Luis Goulart), que conseguiu acabar com a posse deles.
"Ele (Creso) disse que iria crescer e que o princípio seria o Santo Antônio, mas que ele queria crescer muito no Espírito Santo. Ele queria investir muito. E foi cheio de coisas assim que animou. Mas eu sempre fiquei preocupado. Porque as coisas estavam muito fáceis demais. "
Jorge Zouain  - Propiretário dos supermercados Santo Antônio

Que tipos de situações aconteceram para a Justiça dar uma liminar nesse sentido, favorável ao senhor?

Essas partes não sei como explicar porque inclusive é segredo de Justiça, eu não posso falar até nós solucionarmos.

Mas é correto dizer que houve um descumprimento de contrato?

Sim. Houve.

Bate um arrependimento de ter feito esse negócio?

Lógico, né? Quem é que queria passar pelo o que eu passei e estou passando? Você analisa direitinho. Eu trabalhei 54 anos, comecei com uma mercearia pequena, e fui crescendo junto com Guarapari. Sempre tivemos um trabalho de participação de tudo em Guarapari, fomos crescendo juntos. Tudo com nome muito limpo, prestígio de crédito em todos os lugares, apoio da sociedade. Funcionários tenho sempre como amigos. E tudo isso ser destruído de repente assim, a gente fica logicamente com um sentimento muito grande. Agora, eu estou assumindo novamente, mas com todas as dificuldades. Já não é mais como antigamente. E eu já não tenho mais aquela idade de quando eu comecei e vou ter que recomeçar tudo. Vou ter que ter apoio da sociedade, e estou tendo muito. Os fornecedores vão ter que colaborar, até para eu pagá-los. Porque vai ser difícil, não tem dinheiro. E os funcionários, já tive algumas reuniões com eles, rapidamente, e estão todos dispostos a ajudar, e isso que é importante. Se Deus quiser, nós vamos mais uma vez levantar a bandeira.
Data: 03/12/2019 - ES - Guarapari - Supermercados Santo Antônio, em Guarapari Crédito: Carlos Alberto Silva
"Temos que achar um caminho porque eu não quero prejuízo para o funcionário, como eu nunca quis. E também não quero sujar mais meu nome. Tenho que tentar daqui para frente é limpar. Não sujar."
Jorge Zouain - Proporetário dos supermercados Santo Antônio

Tiveram cerca de 70 demissões e esses profissionais não receberam as verbas rescisórias. Como fica com esses funcionários? O que o Santo Antônio vai fazer daqui para frente em relação a quem foi dispensado e aos direitos que eles têm?

Eu para te ser sincero eu ainda não sei te explicar isso. Eu assumi ontem, nessa confusão, foi muito rápido também, como foi a venda foi também a posse, o retorno, eu tenho muitos detalhes que estou consultando com advogado, contador, até jurídico. Vou ter uma reunião com o pessoal do sindicato para a gente achar um caminho para solucionar. Porque se for para indenizar todo mundo, eu não tenho condições, não tem dinheiro para isso agora. Então, temos que achar um caminho porque eu não quero prejuízo para o funcionário, como eu nunca quis. E também não quero sujar mais meu nome. Tenho que tentar daqui para frente é limpar. Não sujar.

O verão está batendo à porta e é o melhor período em Guarapari para quem vive do comércio. Dá tempo de se preparar para o verão?

Nessa época nós estávamos com nossos depósitos todos cheios, com mercadorias chegando até o princípio de dezembro. Depois era só venda. E agora nós estamos com os depósitos vazios. Vamos começar tudo de novo. O tempo vai dar para se melhorar bem, não sei sei vai dar para botar no ponto, porque tem também o problema do crédito. Nem todo mundo vai mais me vender. Entendeu? Isso é coisa mais demorada. Alguns, sem eu pedir, já abriram mão, dizendo que estão à disposição. Já tinham cortado crédito, mas que com a minha presença é outra coisa, com a minha palavra.

O senhor teve vontade de desistir diante de todos esses problemas?

Não. Desistir não. Nunca! Tem muitos empresários de supermercados interessados em comprar, posso até vender, porque aí eu já resolvo de uma vez só. Só que com esse passivo que está, não sei como vai ser. Eu tenho que pensar em enfrentar e continuar e melhorar.

Em um segundo momento pensa em vender a empresa ou o trauma pode fazer com que o senhor não queira mais negociar?

Não deixa trauma não. Deixa sentimento. Mas trauma não. Tô acostumado a levar pancada. Uma pessoa com tantos anos de trabalho, os altos e baixos que já tive foram muitos, só que eu era mais novo. É diferente. Agora já estou bem cansado. Mas eu vou enfrentar!

Considera que esse seja um dos momentos mais difíceis que o senhor já passou?

Sim. Porque eu nunca sujei o nome da firma, o meu nome, aliás. Nunca teve uma coisa assim.. Nunca tive um título de protesto, dificilmente a empresa. Meu CNPJ, desde o início, nunca foi mudado. Porque a pessoa muda às vezes para evitar prejuízo tributário, mas eu nunca mudei. Sempre foi o meu.

O Creso e a empresa, por alguns levantamentos que realizamos, têm um histórico de já ter feito algo parecido com outras empresas Brasil afora. O que o senhor pensa sobre ele?

Para ser sincero, eu penso daqui para frente. Para trás eu pretendo deixar, apesar de não ser tão fácil. Agora, o que eu vou fazer, eu não sei. Porque eu não sei o que ele vai fazer também na Justiça. Dependendo do que acontecer, vou ter que continuar o processo. Os advogados vão sugerir o que devo fazer ou não. Não posso te dar uma resposta do que eu vou fazer com ele ou não, mas Deus sabe.

Tem alguma mensagem ou lição que fica nesse processo?

Eu gostaria neste momento primeiramente de agradecer o apoio que estou tendo, tanto da sociedade de Guarapari, que às vezes até me emociona, é muita mensagem bonita, é muito apoio. Os meus funcionários nem se fala. Eu queria pedir perdão à minha clientela por ter deixado chegar a esse ponto, mas dizer que eu não tenho culpa. A intenção foi a melhor possível. A intenção é que eles iriam melhorar e não piorar. Meu agradecimento a todos. E quero dizer que nós vamos trabalhar para melhorar, isso eu posso garantir. Vontade de trabalhar eu ainda tenho, coragem eu tenho e um pouco de força.
"Eu queria pedir perdão à minha clientela por ter deixado chegar a esse ponto, mas dizer que eu não tenho culpa. A intenção foi a melhor possível. "
Jorge Zouain - Proprietário dos supermercados Santo Antônio

O outro lado

A coluna tentou entrar em contato com a empresa DX Group Participações e Investimentos Eireli e com o empresário Creso Suerdieck Dourado, mas sem sucesso. Também procurou a assessoria de imprensa, que vinha atendendo a empresa, mas foi informada de que ela não presta mais serviços para o grupo de São Paulo. "Caros amigos, com relação às mudanças no Supermercado Santo Antônio e diante da situação judicial que se tornou o assunto, informo que, momentaneamente, não respondo pela assessoria da rede até que alguma mudança ou definição desta situação ocorra."

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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