Ricardo Pandolfi*
Estou lendo o livro “História da Riqueza no Brasil”, de Jorge Caldeira, que elucida novos caminhos para a historiografia brasileira no tocante ao papel do mercado interno e da presença dos pequenos negócios no tecido empresarial. A discussão é nova porque recebe outros olhares, como a antropologia e a econometria diferentemente como estão acostumadas a ler nos livros de história, de uma sociedade voltada ao mercado externo.
Cito isso apenas para chamar atenção que os pequenos negócios são historicamente presentes no nosso dia a dia, mas que não ganharam ainda a pauta a que tem direito na economia brasileira. Ultimamente, estamos intitulando-a sob uma nova categoria - nova como classificação, mas que já existe, há um bom tempo -, a economia criativa.
Mas tem um lugar onde tudo fica mais evidente que é quando se delimita um território para desenvolver produtos turísticos, com a finalidade de aumentar o fluxo de visitantes numa determinada região
Nesses últimos quatro anos, dediquei-me a estudá-la e compreendê-la, lendo autores e vendo experiências, implantando ações nesse campo. Posso dizer que ela é o somatório do que é realizado enquanto negócios na cultura e na inovação. Não é costume perceber que todas essas atividades são empresariais e estão presentes no cotidiano de quem vai assistir a um filme ou ver uma peça de teatro. Por trás de tudo isso, há vários profissionais que passaram meses e meses se dedicando à definição de roteiros, escolha de atores, ensaios, cada etapa constituída por profissionais especialistas em suas áreas. Sem esquecer os novos formatos de gestão que as “startups” e aceleradoras estão imprimindo na forma da economia tradicional realizar negócios.
Mas tem um lugar onde tudo fica mais evidente que é quando se delimita um território para desenvolver produtos turísticos, com a finalidade de aumentar o fluxo de visitantes numa determinada região. É na ação turística talvez que melhor se materialize a versão cultural e por que não inovadora da economia criativa. No Espírito Santo, especificamente, temos uma área rica em arquitetura, história, monumentos, negócios criativos, profissionais criativos: o Centro histórico, localizado no centro da cidade de Vitória. Estamos aqui chamando essa porção territorial de distrito e as atividades nela constituída de criativas, ou seja, o nosso distrito criativo de Vitória.
*O autor é subsecretário de Estado da Cultura